Governo prepara “novo Desenrola” com desconto massivo nas dívidas
O Ministério da Fazenda deve lançar, dentro de cerca de dez dias, um novo programa voltado à renegociação de dívidas de famílias brasileiras. A iniciativa, segundo o ministro Dario Durigan, prevê descontos expressivos para consumidores inadimplentes e busca ampliar o alcance de políticas anteriores, com foco em simplificação e maior adesão.
Segundo a coluna de Miriam Leitão, do jornal O Globo, a proposta em estudo inclui abatimentos que podem chegar a até 80% do valor total das dívidas. O saldo restante seria parcelado, permitindo que os consumidores reorganizem suas finanças de forma mais sustentável.
A estratégia é incentivar bancos e instituições financeiras a ampliarem os descontos já oferecidos em programas próprios, com possível participação do governo em garantias para reduzir o risco de inadimplência futura.
Outro ponto em análise é a eventual redução ou isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), demanda defendida por parte do setor financeiro. A medida, no entanto, ainda não está definida e enfrenta resistência dentro da equipe econômica.
A tendência é que qualquer flexibilização nesse sentido seja condicionada a benefícios direcionados a famílias de baixa renda, especialmente aquelas com ganhos de até três salários mínimos.
O novo programa surge como uma evolução de iniciativas anteriores, como o Desenrola, que recebeu críticas por entraves operacionais e dificuldades de acesso. A intenção agora é criar um modelo mais direto, com menos burocracia e comunicação mais clara para o público, facilitando o entendimento das condições e etapas de renegociação.
Além da reestruturação das dívidas, o plano deve incluir ações de educação financeira, com o objetivo de evitar que os beneficiários retornem ao ciclo de inadimplência. A avaliação do governo é de que o momento econômico, com expectativa de queda nas taxas de juros, pode favorecer a recuperação do crédito e ampliar o poder de consumo das famílias.
O custo do programa será dividido entre o governo federal e as instituições financeiras participantes.
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