A crise do Grupo Fictor ganhou novos contornos após a empresa comunicar aos investidores a decisão de encerrar, de forma unilateral, os contratos firmados por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCPs).
A medida foi anunciada poucos dias depois de o grupo entrar com pedido de recuperação judicial e amplia a insegurança de quem aportou recursos no modelo que era apresentado como principal estratégia de captação da companhia.
As SCPs funcionavam como uma espécie de sociedade paralela: investidores colocavam dinheiro em troca de retornos previamente definidos, mas sem aparecer formalmente na estrutura da empresa.
A Fictor atuava como sócia ostensiva, responsável pela gestão e pelas obrigações, enquanto os aportadores figuravam como sócios ocultos. Com isso, esses investidores não são tratados como credores tradicionais no processo de recuperação judicial e, em tese, ficariam no fim da fila para eventual ressarcimento.
O distrato anunciado pela Fictor não trouxe qualquer clareza sobre a devolução dos valores investidos. No comunicado enviado aos participantes, a empresa atribui a decisão ao abalo de confiança gerado pela tentativa frustrada de aquisição do Banco Master, episódio que acabou se desdobrando em investigações e prisões de dirigentes da instituição financeira.
Segundo a Fictor, a repercussão negativa teria afetado sua reputação e contaminado indiretamente as SCPs.
Paralelamente, a recuperação judicial da empresa enfrenta questionamentos na Justiça. O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que o grupo apresente uma nova relação de credores após instituições apontadas como detentoras dos maiores valores negarem qualquer vínculo financeiro.
Entre elas estão a American Express e a Sefer Investimentos, citadas na petição inicial como responsáveis por mais de R$ 1 bilhão em créditos.
A Sefer, por sua vez, afirma atuar apenas como gestora de recursos de terceiros e não como financiadora do grupo.
A corretora também aparece entre os alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga irregularidades ligadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Enquanto isso, investidores seguem sem respostas objetivas sobre o destino do dinheiro aplicado.
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