O juiz Josué Vilela Pimentel, da 8ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, acatou, na terça-feira (27), pedido da Bancada Feminista da Câmara Municipal de São Paulo (SP), e deu 15 dias para que a prefeitura do bolsonarista Ricardo Nunes (MDB-SP), explique porque colocou em sigilo um contrato autorizando a produtora de extrema-direita, Brasil Paralelo, a realizar filmagens na Escola Municipal de Educação Infantil Patrícia Galvão para um suposto documentário intitulado “Pedagogia do abandono”.
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A ação popular alega violação aos princípios da impessoalidade, moralidade e publicidade. O “documentário” produzido pela empresa espalha mentiras sobre as creches públicas, como a suposta promoção de “ideologia de gênero”, entre outras fake news bolsonaristas.
O juiz destacou que o sigilo em processos administrativos é uma medida excepcional e deve ser devidamente justificado. “Nós vamos poder saber se existe de fato um contrato e uma parceria da Prefeitura de São Paulo com essa excrecência que se chama Brasil Paralelo. Não podemos deixar que a Brasil Paralelo entre nas escolas públicas municipais aqui em São Paulo e vamos continuar lutando para tirar das redes sociais este lixo de documentário chamado ‘Pedagogia do Abandono’”, comemorou a vereadora Silvia Ferraro (PSOL).
A Brasil Paralelo é uma produtora reconhecidamente ligada à extrema-direita e é acusada de promover desinformação sobre a Lei Maria da Penha, a pandemia e as mudanças climáticas.
Segundo denúncias recebidas da comunidade, a escola foi praticamente obrigada pela Secretaria Municipal de Educação e pela SPCine, a concordar com a gravação em suas dependências.
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