Apresentadas por políticos de extrema-direita como uma solução “mágica” para os problemas do ensino público, as escolas cívico-militares colecionam um extenso rol casos de abusos, violência, assédio moral e importunação sexual. Com o maior número de unidades nesse modelo (312), o Paraná de Ratinho Jr é também é o estado onde mais denúncias foram registradas.
O episódio mais recente foi revelado por uma reportagem da BBC segundo a qual um grupo de pelo menos nove meninas com idades entre 11 e 13 anos denunciou que um militar teria tocado partes de seus corpos, incluindo o seio de uma delas. As importunações teriam ocorrido em diferentes datas em uma escola cívico-militar em Cornélio Procópio, na região Norte do Paraná, a 400 quilômetros de Curitiba.
O caso aconteceu em 2023 e foi registrado na polícia, mas o PM continuou trabalhando na escola e só foi demitido pela Secretaria da Educação em 2025, quase dois anos depois.
Governo esconde dados
Questionado, o governo Ratinho Jr se negou a fornecer informações sobre quantas denúncias de abusos cometidos por militares contra adolescentes nas escolas cívico-militares paranaenses estão sendo investigadas atualmente.
O único dado admitido foi de que 14 militares já foram expulsos ou desligados das escolas por comportamentos graves.
Aula de ódio
Entre novembro e dezembro de 2025, outros dois casos registrados em escolas cívico-militares do Paraná, denunciados pela APP-Sindicato – que representa professores e funcionários de escolas do estado, viraram escândalo em nível nacional. Em vídeo recebido e divulgado pelo sindicato nas redes sociais, estudantes do Colégio Cívico-Militar João Turin, em Curitiba, entoam um canto com letra que faz apologia ao ódio e à violência, especialmente contra moradores da periferia.
Segundo informações divulgadas pela APP, em 2024, uma estudante foi assediada sexualmente por um monitor militar durante uma viagem escolar ao zoológico de Curitiba. Após denúncias, o militar foi afastado. De acordo com o relato da adolescente, após denunciar o caso à direção, foi desacreditada pela mesma, a qual questionou se a aluna não havia inventado a história.
Violência
Outra denúncia apontou que, no dia 20 de fevereiro de 2024, no Colégio Jayme Canet, de Curitiba, um homem alto não identificado agrediu dois estudantes menores de idade em frente à escola com socos e empurrões. A gravação mostra que o agressor agiu com violência, intimidando e ameaçando outros alunos.
O monitor militar da escola não apenas não interveio como teria dito que “faria o mesmo”, contaram os estudantes. “Quando fomos tirar satisfação com o monitor policial (subtenente), ele disse que isso que estava acontecendo ali era consequência das nossas ações, porque fizeram algo para o filho dele (o agressor). E que ele, o subtenente, faria o mesmo”, relataram os alunos.
Aparência
Paraná e São Paulo – dois estados governados por bolsonaristas – concentram também centenas de relatos de coação verbal e intimidação, com ameaças de expulsão ou impedimento de entrar na sala, por causa de cabelos coloridos, brincos ou uso de blusa na cintura. Em Curitiba, um pai denunciou monitores que chamaram alunos de “gay” por usarem blusa na cintura.
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