Operação mobiliza 2,5 mil agentes e se torna a mais letal da história do Rio
O número de mortos na Operação Contenção subiu para 64, segundo balanço atualizado divulgado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ). Entre as vítimas estão 60 suspeitos ligados ao Comando Vermelho (CV), dois policiais civis e dois militares. A ação, deflagrada ao amanhecer nos Complexos do Alemão e da Penha, já é considerada a mais letal da história do estado, superando o massacre do Jacarezinho (2021), que deixou 28 mortos.
A megaoperação mobilizou mais de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, sem apoio federal, e se estende por mais de 14 horas. Foram cumpridos 81 mandados de prisão, incluindo os de “Belão do Quitungo”, “Danado” e “Mexicano do Jorge Turco”, apontados como lideranças regionais e operadores financeiros do CV. O arsenal apreendido inclui 75 fuzis, duas pistolas, nove motos, drones equipados com explosivos e mais de 200 quilos de drogas.
As forças de segurança relatam ter neutralizado 80% dos drones inimigos, usados por traficantes para lançar granadas contra helicópteros e viaturas. Segundo o secretário de Segurança, Victor Santos, a ofensiva é uma “resposta necessária ao narcoterrorismo”. Até o momento, 46 escolas seguem fechadas, cinco unidades de saúde suspensas, sete ônibus incendiados e mais de 280 mil moradores diretamente afetados.
- 64 mortos na operação mais letal da história do Rio
- Traficantes usam drones com explosivos para atacar helicópteros e viaturas
- Operação mobiliza 2,5 mil agentes e fecha Complexos do Alemão e da Penha
O governador Cláudio Castro reforçou nas redes sociais o pedido por apoio federal, afirmando que o estado enfrenta “uma guerra real”. Em contrapartida, organizações de direitos humanos e lideranças comunitárias denunciaram o uso excessivo da força e a ausência de medidas sociais de proteção às famílias. Vídeos de moradores mostram fumaça, explosões e fugas em fila pela mata da Vila Cruzeiro, em cenas que repetem, 15 anos depois, o fracasso do cerco de 2010 no Alemão.
A Operação Contenção — resultado de um ano de investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e do Gaeco/MPRJ — integra a estratégia de “contenção territorial” do governo estadual contra a expansão do CV para outros estados, como Pará, Bahia e Espírito Santo. A ofensiva desta terça representa a fase mais intensa dessa política, que já havia resultado em 10 mortes e 19 prisões nas incursões de 10 de outubro.
Em meio à escalada, o discurso oficial se aproxima cada vez mais da retórica de guerra importada de regimes de extrema direita ao redor do mundo. A militarização da segurança pública se converte em espetáculo político e o inimigo interno, em justificativa para o uso ilimitado da força.
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