A procuradora do Estado de Roraima Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), afirmou que a determinação para que retome o trabalho presencial representa uma retaliação de natureza política. Integrante da Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) desde 2015, ela vinha exercendo suas funções em regime remoto desde o ano seguinte, modelo que, segundo relata, também é adotado por outros membros do órgão.
Atualmente nos Estados Unidos, onde está com a família, Rebeca foi notificada a comparecer fisicamente ao local de trabalho. Em publicação nas redes sociais, criticou a decisão do procurador-geral do estado, Tyrone Mourão, e classificou a medida como desproporcional.
Ela sustenta que as atividades desempenhadas por sua lotação, voltada à representação do estado nos tribunais superiores, são essencialmente digitais, com processos, audiências e despachos realizados por meio eletrônico.
A procuradora também mencionou episódios anteriores que, em sua avaliação, reforçariam um ambiente de perseguição. Entre eles, a suspensão de seus vencimentos por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a invalidação de um laudo médico apresentado de forma remota. Mesmo com o salário suspenso, afirma permanecer à disposição para trabalhar.
Rebeca está afastada das funções há mais de três meses. Ela saiu de férias em novembro e viajou para Miami com as filhas. Após o período inicial, prorrogou o afastamento e, na sequência, solicitou licença médica para permanecer no exterior. O pedido foi aceito pela PGE-RR em dezembro.
O caso ocorre em meio à situação do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pelo STF a 16 anos de prisão por envolvimento na trama golpista. Ele deixou o país sem autorização judicial e é considerado foragido. O governo brasileiro já formalizou pedido de extradição.
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