A Polícia Civil de Santa Catarina realizou, na manhã desta segunda-feira (26), uma série de buscas em endereços ligados aos adolescentes investigados pela morte do cão comunitário conhecido como Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis. Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em residências dos jovens e de seus responsáveis legais, além de locais associados a adultos suspeitos de interferir no andamento das apurações. Até o momento, ninguém foi apreendido.
Durante a operação, aparelhos eletrônicos como celulares, notebooks e outros dispositivos foram recolhidos e encaminhados para perícia. Um dos mandados foi cumprido ainda no início da manhã, no bairro João Paulo. O material apreendido deve auxiliar na reconstituição dos fatos e na análise de eventuais trocas de mensagens relacionadas ao caso.
As investigações apontam que ao menos quatro adolescentes teriam participado das agressões que resultaram na morte do animal, vítima de golpes violentos. Além do crime de maus-tratos, a Polícia Civil apura indícios de coação no curso do processo. Um porteiro teria sido pressionado por um adulto, pai de um dos investigados, para não colaborar com as autoridades. Em um dos endereços ligados a essa apuração, os policiais não localizaram a suposta arma usada para ameaças, mas encontraram drogas, que também serão analisadas no inquérito.
Orelha vivia há cerca de dez anos na Praia Brava e era cuidado por moradores, comerciantes e pescadores da região. Após desaparecer por alguns dias, o cachorro foi encontrado gravemente ferido e levado a uma clínica veterinária, onde acabou sendo submetido à eutanásia devido à gravidade das lesões.
O caso provocou forte comoção e mobilização popular, com protestos, manifestações nas redes sociais e cobranças por justiça. O Ministério Público de Santa Catarina informou que os adolescentes investigados devem ser ouvidos pelas autoridades nos próximos dias. A partir da análise das provas reunidas, o órgão decidirá sobre a eventual aplicação de medidas socioeducativas.
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