Trump busca reformar sistema de refugiados nos EUA para favorecer apenas pessoas brancas
Sem esconder seu caráter nazifascista, o governo Trump está considerando uma reforma radical no sistema de refugiados dos EUA que redefiniria completamente as prioridades do programa, privilegiando falantes de inglês, sul-africanos brancos e europeus contrários à imigração. De acordo com documentos obtidos pelo The New York Times, as mudanças — algumas já implementadas — transformariam um programa humanitário de décadas em um instrumento alinhado à visão de imigração de Trump: acolher predominantemente pessoas brancas que aleguem perseguição, excluindo a maioria dos refugiados tradicionais.
Plano em andamento
Os planos, apresentados à Casa Branca em abril e julho, atendem a uma ordem executiva de Trump que questionava se o reassentamento de refugiados atendia aos interesses americanos. Embora não haja cronograma definido, autoridades familiarizadas com o processo confirmam que nenhuma das propostas foi descartada.
Mudanças estruturais
As reformas propostas incluem:
- Ênfase na “capacidade de assimilação”, com cursos obrigatórios sobre “valores americanos”
- Prioridade a europeus perseguidos por opiniões contrárias à imigração em redes sociais
- Cancelamento de centenas de milhares de pedidos já em processamento
- Limites à reinstalação em comunidades com grandes populações imigrantes
Viés racial explícito
Um dos documentos argumenta que “o aumento da diversidade reduziu a confiança social essencial para a democracia”, defendendo que apenas refugiados “alinhados com os objetivos do presidente” sejam aceitos. Trump já implementou parcialmente essas diretrizes, oferecendo status prioritário aos africâneres — minoria branca sul-africana — com base em alegações de perseguição não comprovadas por estatísticas oficiais.
Contexto político
As propostas refletem uma agenda de longa data de Stephen Miller, arquiteto das políticas anti-imigração de Trump, que durante seu primeiro mandato questionou por que os EUA aceitariam haitianos e africanos em vez de europeus. O plano reduziria o limite de refugiados para 7,5 mil em 2025, contra 125 mil no governo Biden.
Controvérsias e críticas
Barbara L. Strack, ex-chefe de assuntos de refugiados em três administrações, afirma que as mudanças revelam “uma noção preexistente sobre quem são os verdadeiros americanos”. Enquanto isso, defensores de refugiados destacam casos de sucesso: em Durham (Carolina do Norte), refugiados do Afeganistão, Ucrânia e Síria integram-se profissional e socialmente, trabalhando em áreas essenciais da economia local.
O governo justifica as restrições argumentando que comunidades americanas já estariam sobrecarregadas com a crise migratória na fronteira mexicana — ainda que os programas de refugiados e asilo sejam sistemas distintos, com processos e prazos diferentes.
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