Levantamento do Datafolha publicado neste domingo (10) aponta que a sensação de insegurança vem impactando o cotidiano da população brasileira, com efeitos mais intensos entre as mulheres. A pesquisa foi realizada a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Nos últimos 12 meses, quatro em cada dez mulheres afirmaram ter evitado sair à noite por medo da violência e da ação de criminosos. Entre os homens, o índice ficou em 29,8%. Para a pesquisa, o Datafolha realizou entrevistas presenciais com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais em 137 cidades espalhadas pelo país.
Os dados revelam um cenário de insegurança disseminada. De acordo com o levantamento, praticamente toda a população entrevistada relatou temor diante de pelo menos uma das situações de violência apresentadas na pesquisa.
As fraudes digitais lideram a lista de maiores preocupações da população brasileira, com 83,2% dos entrevistados afirmando temer perdas financeiras por meio da internet ou do celular.
Na sequência, aparecem o receio de sofrer assalto com arma de fogo, citado por 82,3%, o medo de morrer durante uma ação criminosa, com 80,7%, e o temor de ter o celular roubado ou furtado, mencionado por 78,8% dos participantes.
Entre as mulheres, os índices são ainda mais elevados. O receio de sofrer assalto armado e de ser vítima de fraudes digitais alcançou 86,6%.
Também superaram os 80% os medos relacionados a agressão sexual, invasão de residência, bala perdida e violência nas ruas. Nenhuma das situações pesquisadas atingiu percentual semelhante entre os homens.
O impacto da violência também aparece nas mudanças de comportamento. Mais de um terço dos entrevistados afirmou ter alterado trajetos habituais por medo. Outros 35,6% disseram evitar sair à noite e 33,5% passaram a deixar o celular em casa para reduzir o risco de assalto. Entre as mulheres, 37,8% afirmaram não sair mais com o aparelho nas ruas.
O avanço da sensação de insegurança coincide com o aumento dos casos de feminicídio no país. Dados do Ministério da Justiça apontam crescimento de 7,5% nas mortes de mulheres por esse tipo de crime no primeiro trimestre de 2026, o maior número da série histórica para o período.
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