Dois policiais militares foram condenados pelo Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, na quarta-feira (15), após câmeras corporais registrarem agressões, ameaças e uma simulação de roleta-russa contra dois adolescentes. O episódio ocorreu em fevereiro de 2025, durante uma operação na Favela da Caixa D’Água, na Zona Leste da capital paulista.
As gravações, exibidas em reportagem do programa Fantástico, mostram o cabo Sandro Nascimento segurando um dos jovens pelo pescoço e apontando uma pistola para sua cabeça. O soldado Eduardo Uchoa aparece dando um tapa no rosto do adolescente. Na abordagem ao segundo rapaz, Sandro encosta a arma próximo ao olho dele.
Pouco depois, o sargento Amauri dos Santos chega ao local e agride um dos menores com uma vara. Em seguida, segundo as imagens, ele coloca uma munição no tambor de um revólver, gira o cilindro, aponta a arma para a cabeça do adolescente e aperta o gatilho. Não houve disparo.
A promotora de Justiça Militar Giovana Ortolano Guerreiro classificou a ação como um método de tortura psicológica. Uchoa teria acompanhado a cena sem intervir e ainda demonstrado reação de deboche.
Os registros também revelaram entradas em residências sem autorização judicial. Em um dos imóveis, os agentes recolheram recipientes e pacotes com material semelhante a drogas. Parte dos itens foi levada até a viatura de Amauri, mas não chegou a ser apresentada posteriormente. A investigação apontou indícios de desvio.
Amauri foi condenado a 12 anos e cinco meses de prisão por tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato. Sandro recebeu pena de quatro anos e dez meses, em regime semiaberto, por tortura e abuso de autoridade.
O caso foi descoberto durante uma auditoria das câmeras corporais. Eduardo Uchoa e outros seis policiais continuam como réus e ainda serão julgados. A defesa de Uchoa afirmou confiar na inocência do soldado. A Polícia Militar informou que ampliou para 15 mil o número de equipamentos utilizados pela corporação.
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