A banda Névula, da qual participou o secretário municipal da Fazenda em exercício de São Paulo, Fabiano Martins de Oliveira, tornou-se alvo de investigação após receber uma sequência de contratações da Prefeitura de São Paulo que somam mais de meio milhão de reais.
Documentos analisados pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) e revelados em reportagem do Metrópoles indicam possíveis irregularidades na forma como os cachês foram elevados e nas justificativas utilizadas para dispensar licitação. As contratações foram interrompidas enquanto a apuração segue em andamento.
Entre maio de 2024 e outubro de 2025, o grupo realizou 28 apresentações custeadas pelo município, acumulando R$ 584,5 mil em pagamentos. Segundo o relatório técnico do TCM, não há comprovação de que a banda atendesse ao requisito legal de reconhecimento artístico necessário para contratações por inexigibilidade de licitação. O órgão também aponta que o valor inicial, de R$ 5 mil por show, saltou gradualmente até alcançar R$ 30 mil em pouco mais de um ano.
A investigação também analisa documentos usados para justificar a valorização do cachê. Conforme a apuração, notas fiscais emitidas por empresas ligadas ao baterista Fernando Augusto Pires, conhecido como Fernando Marreta, e ao baixista João Bustamante Junior, o Buxta, foram apresentadas como referência de mercado. O TCM avalia se esses registros poderiam servir como parâmetro para estabelecer o preço das apresentações contratadas pela administração municipal.
Outro ponto destacado é a participação de Fabiano Martins de Oliveira. Embora a banda tenha afirmado posteriormente que ele deixou de integrar oficialmente o grupo em 2024, documentos da Secretaria Municipal de Cultura o identificam como guitarrista, sob o apelido de “Tenente”, em todas as contratações. Em duas ocasiões, o secretário informou que participaria dos shows de forma voluntária, sem remuneração e fora do horário de expediente.
Ao justificar as contratações, a Secretaria Municipal de Cultura alegou que a Névula possuía reconhecimento junto ao público e à crítica especializada, citando redes sociais e publicações sobre eventos. A equipe técnica do TCM, porém, considerou insuficientes as evidências apresentadas.
Procurados pela reportagem original, integrantes da banda não responderam aos questionamentos enviados. Já a Prefeitura de São Paulo afirmou que as contratações seguiram critérios administrativos e negou qualquer influência externa no processo.
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