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Presidente do Fluminense relativiza drama das famílias endividadas por bets: “Não pode ser maior que o desemprego”

O presidente do Fluminense, Matheus Montenegro, causou polêmica nesta terça-feira (3) ao relativizar o drama das famílias brasileiras endividadas pelas bets durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF). Em seu discurso, Montenegro afirmou que o sofrimento das famílias endividadas “não pode ser maior” do que o desemprego que, segundo ele, seria gerado nos clubes de futebol com a proibição das apostas.

“Eu ouvi muito se falar sobre drama. O drama das famílias, o drama do endividamento. E isso é verdade. O Fluminense não nega isso. Só que também, Excelência, existe um drama do desemprego. O que os clubes vão fazer se a receita acabar? Eu já vi muitas vezes a Suprema Corte discutir a ponderação de princípios, mas aqui, neste caso, infelizmente, nós teremos que fazer a ponderação entre os dramas. O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol”, declarou Montenegro.

A declaração do dirigente contraria o que mostram as pesquisas sobre o impacto das bets no orçamento das famílias brasileiras. Segundo levantamento da Acordo Certo/Consumidor Positivo, 22% dos apostadores endividados recorreram a empréstimos, cheque especial ou cartão de crédito para continuar apostando, e 19% deixaram de pagar alguma conta para destinar dinheiro aos jogos .

Estudo do IBEVAR/FIA Business School apontou que o impacto das bets sobre o endividamento das famílias é mais de três vezes superior ao efeito dos juros. Na prática, as apostas se tornaram o principal vetor de pressão financeira sobre as famílias brasileiras, superando fatores tradicionalmente associados à inadimplência.

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