Gracinha Caiado, primeira-dama de Goiás e apontada como líder nas pesquisas para o Senado no estado, passou a exercer influência direta na estratégia digital da pré-campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD).
Segundo informações de bastidores coletadas pelo jornalista Thiago Prado, do O Globo, ela avaliou que as publicações do marido, centradas na apresentação de propostas e no balanço de sua gestão à frente do governo goiano, vinham registrando baixo alcance e pouca interação nas redes sociais.
A partir dessa percepção, a comunicação da campanha passou por mudanças que resultaram em um discurso mais incisivo contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A alteração de rumo ganhou força após a chegada do estrategista digital Marcos Carvalho, que assumiu recentemente a gestão das redes sociais de Caiado. Com passagens pelas equipes de Flávio Bolsonaro e da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, ele passou a defender uma postura mais combativa, em contraste com a estratégia do marqueteiro Paulo Vasconcelos, que preferia uma comunicação menos voltada ao confronto político.
Nas últimas semanas, Caiado intensificou as críticas ao adversário. Além de questionar a viabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro, o ex-governador também associou o senador às consequências econômicas provocadas pelo aumento de tarifas anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As declarações marcaram uma mudança significativa no tom adotado pela campanha.
Os efeitos dessa estratégia, no entanto, dividem a equipe do presidenciável. Marcos Carvalho cita dados da AP Exata que apontam crescimento expressivo nas menções ao nome de Caiado nas redes sociais após a mudança de posicionamento.
Já levantamentos da plataforma Brandwatch indicam predominância de manifestações negativas ao ex-governador durante a primeira quinzena de julho, com críticas relacionadas principalmente à aproximação política com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.
Situação semelhante ocorre na pré-campanha de Romeu Zema (Novo). O antropólogo Renato Pereira defendia que o mineiro mantivesse ataques a Flávio Bolsonaro, mas a chegada do consultor Sérgio Lima, que atuou na campanha digital de Jair Bolsonaro em 2022, provocou uma reorientação da estratégia.
Eduardo Ribeiro, presidente do Novo, passou a apostar em uma comunicação focada nas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reduzindo os embates com o senador. Enquanto isso, a continuidade de Renato Pereira na equipe segue indefinida, em meio às discussões sobre o rumo que a campanha deverá adotar nos próximos meses.
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