Segurança pública vira trampolim eleitoral em 12 estados
Às vésperas das eleições de outubro, uma movimentação tem chamado atenção no cenário político brasileiro: ao menos 15 ex-integrantes da cúpula da segurança pública deixaram seus cargos recentemente para disputar mandatos.
Segundo informações reveladas por reportagem do jornal O Globo, o grupo reúne ex-secretários estaduais, comandantes das polícias Militar e Civil e gestores municipais, espalhados por 12 estados de todas as regiões do país.
A entrada desses nomes na corrida eleitoral ocorre em um momento em que a violência figura entre as principais preocupações da população e tende a dominar o debate político.
Entre os nomes mais conhecidos está Guilherme Derrite, que comandou a segurança paulista entre 2023 e o fim do ano passado. Após deixar o cargo, ele retomou o mandato de deputado federal e passou a atuar diretamente em propostas legislativas ligadas ao combate ao crime, além de se posicionar como pré-candidato ao Senado com apoio de Jair Bolsonaro.
Com forte presença nas redes sociais, Derrite exemplifica uma estratégia adotada por outros ex-gestores, que passaram a utilizar conteúdos digitais, entrevistas e aparições públicas para ampliar visibilidade.
O fenômeno não se limita a São Paulo. No Rio de Janeiro, o delegado Felipe Curi também deixou o cargo após ganhar projeção em operações policiais de grande repercussão e deve disputar uma vaga na Câmara. Já em Santa Catarina, o ex-delegado-geral Ulisses Gabriel anunciou saída em meio a controvérsias e igualmente planeja ingressar na política.
A adesão de profissionais da segurança à disputa eleitoral está ligada, em parte, ao aumento da relevância do tema no debate público.
Pesquisas recentes indicam que a violência aparece como a principal preocupação dos brasileiros, superando questões como corrupção e problemas sociais. Esse cenário impulsiona candidaturas que se apresentam como especialistas no assunto.
Estudiosos apontam, porém, que a tendência também reflete uma mudança no perfil dessas candidaturas. Se antes havia foco mais corporativo, hoje cresce o uso da segurança como plataforma política, com forte apelo ideológico e presença digital.
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