Skip to content Skip to footer

TCE-PR concede medida cautelar e suspende processo de privatização da Celepar

(Foto: José Fernando Ogura/AEN)

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) suspendeu, em decisão cautelar, o processo de privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), apontando risco de prejuízos econômicos e fragilidades na proteção de dados públicos. O parecer técnico destacou omissões de informações por parte do governo estadual, incompatibilidades com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a velocidade com que a proposta foi aprovada na Assembleia Legislativa, sem debate amplo com a sociedade.

Entre os pontos que despertaram atenção está o modelo de privatização que prevê a manutenção de uma “golden share” pelo Estado, mecanismo que garantiria poder de veto em decisões estratégicas, mas cuja efetividade ainda suscita dúvidas entre especialistas.

A medida foi comemorada pelo Comitê dos Trabalhadores contra a Privatização da Celepar, que desde o início vem denunciando riscos no processo. Jonsue T. Martins e membro do Comitê de Trabalhadores contra a Privatização da Celepar, avalia que a decisão do TCE é um freio necessário em um processo conduzido “a toque de caixa”.

Enquanto a população se distraía com o carnaval, o Oscar e outras manchetes do noticiário, grandes decisões foram tomadas sem alarde. Esse roteiro, repetido à exaustão no Brasil, reforça um padrão preocupante: contratos milionários são fechados sem licitação, promessas de eficiência e modernização são feitas, mas, quando os problemas aparecem, já é tarde demais

afirmou.

Segundo ele, a privatização da Celepar coloca em risco tanto a soberania do Estado sobre informações estratégicas quanto a segurança dos dados dos cidadãos.

A celeridade com que esse projeto foi aprovado impediu um debate aprofundado sobre as consequências dessa privatização para a sociedade paranaense

disse.

A decisão do TCE determina que o governo apresente documentos que comprovem que a operação não resultará em prejuízos financeiros nem comprometerá direitos da população. O tribunal também sugeriu a realização de audiência pública para ampliar a fiscalização e defendeu o fim do sigilo que ainda recai sobre partes do processo.

Para o Comitê, trata-se de um momento crucial.

Pouco se discute, pouco se questiona. O brasileiro, em sua rotina atribulada, não tem tempo de acompanhar esses processos e só percebe a gravidade da situação quando o estrago já foi feito. A Celepar ainda não foi privatizada, mas o momento de reagir é agora. Depois, só restará o lamento

concluiu Martins.
Bookmark

Redação BFC

Mais Matérias

85 anos de Ney Matogrosso: a voz, o corpo e a coragem que mudaram a música brasileira

Das origens improváveis aos Secos & Molhados, cantor transformou voz, corpo e estética em atos de liberdade e inovação
29 jul 2026

A voz e a luta de Camila Valadão contra a violência política de gênero

Alvo de constantes ataques do hoje deputado Gilvan da Federal (PL), parlamentar do Espírito Santo conseguiu vitória emblemática na Justiça contra algoz
03 ago 2026

Após muito “vai e vem”, Cleitinho anuncia que não será candidato ao governo de MG

Senador alega que após morte recente do irmão ainda não se sentem bem para entrar na disputa
03 ago 2026

Mais um: foragido, ex-deputado do PL é preso na Bolívia

Ex-parlamentar foi condenado por liderar uma organização criminosa armada dedicada ao monopólio e exploração do jogo do bicho
03 ago 2026

Jorge Bischoff fecha acordo e evita julgamento por importunação sexual

Empresário pagará R$ 80 mil a entidade assistencial e cumprirá restrições para evitar julgamento; defesa nega confissão de culpa
03 ago 2026

Ex-comandante da Aeronáutica conta bastidores da trama golpista em livro

“Eu disse não – uma trincheira antigolpista”, do tenente-brigadeiro Carlos Baptista Júnior promete fazer muito barulho
03 ago 2026

Após duas semanas de férias, Congresso prorroga recesso até 10 de agosto

Para agosto, está previsto um “esforço concentrado” entre os dias 10 e 14