ICE planeja equipar agentes com luvas que aplicam choques elétricos
O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) planeja adquirir milhares de luvas capazes de aplicar choques elétricos durante operações de abordagem e detenção. Segundo documentos do Departamento de Segurança Interna (DHS), a agência pretende investir entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões na compra dos equipamentos, com previsão de aquisição até março de 2027. A informação foi revelada pela Associated Press e confirmada pela Reuters.
Conhecidas como G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter), as luvas permitem que o agente acione uma descarga elétrica ao entrar em contato direto com a pele da pessoa abordada. O fabricante afirma que o equipamento foi desenvolvido para provocar dor e interromper a resistência sem necessariamente deixar marcas visíveis. As luvas seriam destinadas principalmente a agentes das operações de fiscalização e investigação do ICE.
A iniciativa provocou críticas de organizações de direitos civis, que temem o uso excessivo da força e dificuldades para fiscalizar eventuais abusos. A preocupação ganhou força porque o equipamento pode provocar dor sem deixar sinais aparentes.
O histórico do produto também é alvo de questionamentos: uma ação judicial relacionada à morte de um homem em uma cadeia do Kentucky, em 2024, afirma que ele recebeu dezenas de descargas elétricas, algumas delas por períodos muito superiores ao recomendado pelo fabricante.
Apesar da repercussão, é importante destacar que os agentes do ICE ainda não começaram a utilizar as luvas de forma generalizada. O governo americano está em processo de aquisição dos equipamentos e afirma que qualquer uso deverá seguir as políticas e os treinamentos oficiais sobre emprego da força.
A medida ocorre em meio ao endurecimento das operações de fiscalização migratória promovidas pelo governo de Donald Trump e amplia o debate sobre os limites do uso da força contra imigrantes nos Estados Unidos.
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