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Lula aparece em 379 publicações com IA; 34% delas atacam sua candidatura

Pelo menos 554 vídeos e imagens que atribuem falas ou ações falsas a pessoas reais circularam nas redes sociais durante a campanha do primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil. O levantamento do projeto VigIA, da agência Lupa, divulgado na quinta-feira (1º), identificou essas manipulações por inteligência artificial em publicações usadas para promover candidaturas, atacar adversários ou produzir humor.

Conhecidos como deepfakes, esses materiais representaram 60% dos 920 conteúdos com uso de IA confirmados entre 16 de agosto e 28 de setembro. Entre os exemplos recorrentes estão jornalistas apresentados como autores de notícias inventadas e celebridades anunciando apoios eleitorais que nunca deram.

Contas de candidatos ou partidos divulgaram 29 desses deepfakes, enquanto usuários comuns, incluindo perfis anônimos, publicaram os outros 525. A concentração das postagens fora dos canais oficiais dificulta a identificação dos responsáveis e amplia o desafio de fiscalização nas plataformas.

As regras do Tribunal Superior Eleitoral proíbem deepfakes na propaganda política quando a manipulação tem aparência convincente e pode enganar o eleitor. O descumprimento pode resultar em cassação da candidatura ou do mandato, conforme o enquadramento da publicação pela Justiça Eleitoral.

Outro problema encontrado foi a ausência de identificação do uso de inteligência artificial, exigida para materiais eleitorais produzidos com essas ferramentas. Apenas 371 publicações apresentavam a sinalização adequada, enquanto 549 não tinham o aviso, incluindo 75 divulgadas por candidatos ou partidos.

O monitoramento reuniu 1.941 conteúdos suspeitos, dos quais 972 haviam sido examinados até a elaboração do relatório. A análise combina três ferramentas de detecção com avaliação dos pesquisadores, em parceria com o laboratório Recod.ai, da Universidade Estadual de Campinas.

A promoção de candidaturas apareceu em 414 publicações, equivalentes a 45% dos casos confirmados de uso de IA. Ataques a candidatos ou outras pessoas responderam por aproximadamente um quarto do material, proporção semelhante à de peças humorísticas ou satíricas.

A disputa presidencial concentrou a atenção dos autores, com Lula retratado em 379 conteúdos e Flávio Bolsonaro em 190. Entre as peças envolvendo o presidente, 39% tinham finalidade humorística ou satírica e 34% buscavam atingir sua candidatura.

No material sobre Flávio Bolsonaro, 40% das publicações procuravam favorecer o candidato do PL e 28% exploravam humor ou sátira. Os percentuais mostram diferenças no uso das imagens dos dois principais personagens retratados pelo levantamento.

Na análise geral, usuários comuns representaram 47% dos autores identificados pelo projeto, mantendo a predominância observada nos deepfakes. Perfis desconhecidos responderam por 27%, superando os 24,5% atribuídos às contas oficiais das candidaturas.

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