Skip to content Skip to footer

60% da população perdeu acesso a contas bancárias no Paraguai

Cerca de 60% da população adulta do Paraguai ficou temporariamente sem acesso às próprias contas bancárias após o Banco Central do país assumir o controle do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras paraguaias. A intervenção foi anunciada na terça-feira (3), depois que o banco apresentou um índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido pela legislação.

O índice de solvência é um indicador que mede a capacidade de um banco de suportar perdas sem comprometer os recursos dos usuários. No caso do Ueno, o indicador caiu para menos da metade do patamar mínimo exigido por lei. Diante do resultado, o Banco Central decidiu intervir e suspender as operações para evitar que a deterioração financeira comprometesse ainda mais os recursos da instituição.

Com aproximadamente 3 milhões de clientes, a instituição teve seus serviços suspensos, incluindo aplicativo, cartões e operações bancárias. A medida deixou milhões de pessoas sem acesso às economias e provocou protestos em diferentes regiões do país.

A crise envolve também recursos públicos. O Ueno Bank administrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em dinheiro de órgãos e fundos estatais, incluindo aproximadamente US$ 380 milhões do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelo sistema de aposentadorias e pela assistência à saúde dos trabalhadores paraguaios. O bloqueio desses valores ampliou a preocupação sobre o impacto da intervenção nas contas públicas e no pagamento de benefícios previdenciários.

O problema vinha sendo acompanhado por autoridades e pela imprensa paraguaia desde setembro, quando reportagens apontaram possíveis irregularidades em empréstimos concedidos pelo Ueno a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, conglomerado que controla o banco. O Banco Central abriu uma investigação administrativa e identificou problemas na estrutura financeira da instituição. Entre os fatores que agravaram a situação estão o crescimento acelerado do banco, a concentração de operações com empresas relacionadas aos seus controladores e a insuficiência de capital para absorver riscos.

A intervenção também atingiu diretamente o governo do presidente Santiago Peña. Antes de assumir a Presidência, em 2023, Peña tinha vínculos empresariais com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno, e manteve participação na holding até março de 2025. Outro ponto de questionamento foi a nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente do Ueno, para comandar o Banco Central paraguaio. Após a intervenção, Carvallo anunciou sua renúncia ao cargo.

Bookmark

Continue lendo

Política 05 nov 2026

Flávio Bolsonaro diz ao NYT que será candidato à Presidência novamente

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista ao jornal The New York Times, que pretende disputar novamente a Presidência da República caso sejam convocadas novas...

Deixe seu comentário

Usamos cookies para melhorar sua experiência e analisar o tráfego. Veja a Política de Privacidade.