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Presidente do Paraguai que renunciou foi ex-sócio do grupo controlador do banco quebrado

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise financeira envolvendo o Ueno Bank, instituição controlada pelo Grupo Vázquez, conglomerado empresarial do qual o Penã foi sócio até março de 2025. A relação societária colocou Peña no centro das suspeitas de conflito de interesses após o Banco Central intervir na instituição, que atendia aproximadamente 60% da população adulta paraguaia, cerca de 3 milhões de clientes. A medida suspendeu as operações bancárias e deixou milhões de pessoas temporariamente sem acesso às próprias contas e economias.

Peña não era acionista diretamente do banco, mas da Ueno Holding, estrutura empresarial que reunia negócios ligados ao Grupo Vázquez e que posteriormente foi incorporada ao conglomerado. Em abril de 2025, o presidente confirmou que havia realizado um investimento no grupo anos antes, quando a empresa ainda estava ligada à financeira Credicentro. Ele afirmou ter encerrado sua participação societária em março daquele ano e negou ter mantido vínculo direto com o Ueno Bank. A proximidade empresarial, entretanto, passou a ser questionada após o colapso da instituição.

A intervenção ocorreu depois que o Banco Central identificou que o índice de solvência do Ueno havia caído para 5,56%, menos da metade do mínimo de 12% exigido pela regulamentação. O índice de solvência é um indicador que mede a capacidade de um banco de suportar perdas sem comprometer os recursos dos depositantes.

As investigações também apontaram problemas na concessão de empréstimos a empresas relacionadas aos controladores do banco, além de inconsistências na avaliação de ativos. A instituição administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelas aposentadorias e pela assistência médica dos trabalhadores paraguaios.

A crise provocou protestos em Assunção, a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e a prisão de oito executivos ligados à instituição. A oposição apresentou um pedido de impeachment contra Peña, acusando o governo de conflito de interesses, falhas na fiscalização e possível utilização irregular de recursos previdenciários. O presidente anunciou sua saída em um pronunciamento divulgado nas redes sociais.

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