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Presidente do Supremo da Bolívia foge do País após ordem de prisão por tráfico de drogas

O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, fugiu do país após a emissão de um mandado de prisão contra si por tráfico de drogas e associação criminosa. O anúncio do exílio foi feito pelo próprio magistrado nas redes sociais, em que alegou ser vítima de perseguição política e intimidação articuladas pelo governo de centro-direita do presidente Rodrigo Paz.

“Deixei o país, estou com toda a minha família no exílio”, escreveu ele no X (antigo Twitter). “Sei que vão forjar provas para me desacreditar”, alegou ele.

Em contrapartida, o Ministério Público boliviano informou que acionará a Interpol para a emissão de um alerta vermelho de busca internacional, suspeitando que Saucedo tenha realizado a travessia por via terrestre, já que não há registro formal de sua saída nos sistemas de controle migratório.
Crise

A fuga de Saucedo decorre de uma crise institucional em uma ampla investigação sobre a infiltração do narcotráfico no sistema judiciário local. Entre os detidos está o ex-procurador-geral Roger Mariaca, acusado pelas autoridades americanas de receber propinas para facilitar a atuação de cartéis e proteger criminosos violentos.

A decana da corte, Rosmery Ruiz, assumiu interinamente a presidência do Tribunal Supremo. O órgão estabeleceu um prazo de seis dias para que Saucedo se apresente; caso contrário, perderá definitivamente o cargo para o qual foi eleito pelo voto popular no final de 2024. Na Bolívia, os cargos máximos do Judiciário são preenchidos pelo voto direto.

O escândalo ocorre em um momento decisivo para a gestão de Rodrigo Paz, que busca aproximar o país de acordos internacionais de combate ao crime organizado liderados pelos Estados Unidos, de Donald Trump. O governo de Paz aderiu recentemente ao chamado “escudo das Américas”, lançado por Trump para aumentar a influência estadunidense na região.

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