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“Só lendo eu quase peguei aids”: deputado de SC ironiza ação de prevenção ao HIV no Carnaval

Uma declaração feita pelo deputado estadual Jessé Lopes (PL-SC) durante sessão na Assembleia Legislativa de Santa Catarina provocou forte reação nas redes sociais e entre entidades de saúde nesta quarta-feira (4). Ao comentar a iniciativa da Prefeitura de Florianópolis de distribuir o chamado Kit Bloco Seguro durante o Carnaval de 2026, o parlamentar utilizou a frase “só lendo eu quase peguei Aids”, associando o material à transmissão de HIV, o que foi interpretado como ofensivo e desinformado por especialistas e organizações da área.

O kit integra a política municipal de prevenção às infecções sexualmente transmissíveis e será disponibilizado em banheiros de bares e espaços públicos ao longo da folia. Entre os itens estão preservativos internos e externos, autotestes para detecção do HIV, gel lubrificante e materiais informativos sobre profilaxias pré e pós-exposição, estratégias reconhecidas internacionalmente na redução do risco de contágio.

Segundo o portal ND Mais, as falas do deputado, que classificou a ação como um estímulo à promiscuidade, motivaram uma nota de repúdio do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids em Florianópolis (Gapa). A entidade afirmou que o discurso fragiliza políticas de saúde coletiva, reforça estigmas históricos e contribui para a desinformação sobre o HIV e a Aids, além de deslegitimar ações baseadas em evidências científicas.

A controvérsia também se estendeu a críticas feitas por Jessé Lopes aos ensaios de uma escola de samba realizados próximos ao seu gabinete. A Protegidos da Princesa respondeu publicamente, destacando que os encontros fazem parte de um projeto social voltado à inclusão, à formação cidadã e à oferta de um espaço seguro para crianças e jovens.

Em posicionamento oficial, a Prefeitura de Florianópolis defendeu a distribuição do kit como parte de uma estratégia consolidada há mais de uma década. O município destacou a redução expressiva de novos casos de HIV e Aids nos últimos anos, resultado de políticas preventivas contínuas, parcerias com a sociedade civil e acesso amplo ao tratamento pelo SUS.

A administração municipal reforçou ainda que os recursos utilizados são majoritariamente federais e não comprometem o orçamento local.

Especialistas lembram que viver com HIV não é o mesmo que desenvolver Aids e que, com tratamento adequado, a carga viral pode se tornar indetectável, impedindo a transmissão do vírus.

Assista abaixo ao (lamentável) vídeo do deputado:

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