Aliados de Jair e Flávio aparecem em contabilidade do jogo do bicho
Planilhas apreendidas pela Polícia Federal apontam supostos pagamentos superiores a R$ 10 milhões a políticos próximos da família Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Os documentos, localizados em novembro de 2022 durante uma operação contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foram analisados em 2026 pela Operação Unha e Carne, que investiga a infiltração do crime organizado na política fluminense.
Entre os nomes registrados aparecem Cláudio Castro, com R$ 3,63 milhões, Rodrigo Bacellar, associado ao codinome “Barba” e a R$ 5,43 milhões, além de Hélio Lopes, com R$ 323,2 mil. Alexandre Ramagem figura com R$ 91,8 mil, enquanto Gutemberg Fonseca, ex-secretário indicado por Flávio Bolsonaro, aparece relacionado a R$ 727,9 mil.
Segundo a investigação, as planilhas reúnem 61 possíveis beneficiários e registram mais de R$ 29 milhões destinados a agentes políticos, embora não informem quando as transferências teriam ocorrido. Para a PF, o material pode representar uma contabilidade paralela usada pelo grupo de Adilsinho para comprar apoio e ampliar sua influência sobre órgãos públicos do estado.
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A proximidade dos citados com os Bolsonaro reforçou a relevância política dos registros, já que Hélio Lopes é amigo antigo de Jair Bolsonaro e Ramagem comandou a Agência Brasileira de Inteligência durante seu governo. Castro e Bacellar também receberam apoio do clã, enquanto Fonseca ocupou cargos públicos por indicação de Flávio, que posteriormente se tornou sócio de um dos filhos do ex-secretário.
As investigações, divulgadas pelo ICL Notícias, apontam que a organização de Adilsinho teria movimentado cerca de R$ 5 bilhões entre 2015 e 2024 por meio do contrabando de cigarros e de outras atividades criminosas. Preso desde fevereiro, o bicheiro também é investigado por suspeita de envolvimento em homicídios e por integrar a nova cúpula do jogo do bicho carioca.
As defesas de Castro, Bacellar, Hélio Lopes e Gutemberg Fonseca negaram o recebimento de valores e qualquer relação financeira com Adilsinho. Bacellar também rejeitou ser a pessoa identificada como “Barba”, enquanto a defesa de Ramagem não apresentou posicionamento sobre os registros atribuídos ao ex-diretor da Abin.
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