Uma investigação internacional revelou a existência de comunidades online conhecidas como “academias do estupro”, que incentivam e ensinam práticas criminosas dentro de relacionamentos íntimos, envolvendo a sedação de mulheres e a violência sexual.
O caso veio à tona após apurações conduzidas pela série “As Equals”, da CNN, que, ao longo de meses, identificou grupos digitais onde participantes trocam experiências, vendem substâncias ilegais e organizam transmissões desse tipo de crime.
O fenômeno ganhou atenção global em 2024, durante um julgamento na França que expôs uma rede articulada por meio de fóruns virtuais. Desde então, novas evidências apontam que esse tipo de prática não desapareceu, ao contrário, migrou para outras plataformas e permanece ativa, muitas vezes protegida pelo anonimato da internet.
Nesses ambientes, usuários compartilham conteúdos que mostram mulheres desacordadas, além de discutir formas de evitar responsabilização.
A apuração identificou ainda a existência de um mercado clandestino ligado a essas atividades, com oferta de substâncias supostamente usadas para sedar vítimas.
Em alguns casos, participantes anunciam transmissões pagas, nas quais cenas de violência são exibidas ao vivo mediante pagamento, geralmente em criptomoedas. A lógica de grupo reforça o comportamento, criando uma espécie de validação coletiva entre os envolvidos.
Paralelamente, relatos de sobreviventes ajudam a dimensionar o impacto desse tipo de crime. Mulheres de diferentes países relataram ter sido vítimas dentro de casa, muitas vezes sem perceber o que estava acontecendo.
Algumas só descobriram anos depois, ao encontrar provas ou após confissões dos próprios agressores. Os efeitos incluem traumas psicológicos duradouros, perda de confiança e dificuldades em denunciar.
Especialistas apontam que a combinação entre conteúdos extremos disponíveis na internet e a falta de fiscalização eficaz contribui para a expansão desse cenário.
Dessa maneira, a subnotificação e a dificuldade de investigação dificultam a responsabilização dos envolvidos, já que muitas vítimas estavam inconscientes no momento dos atos criminosos e, em alguns casos, nem imaginam as violências pela quais estão passando.
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