Skip to content Skip to footer

Ataques ao PIX revelam a verdade que o bolsonarismo tenta esconder

(Foto: Reprodução)

A recente crise em torno do PIX produziu algo raro na política brasileira: um momento de clareza.

Por anos, o Bolsonarismo e seus aliados vestiram a camisa da pátria, sequestraram os símbolos nacionais e tentaram convencer milhões de brasileiros de que eram os únicos defensores do Brasil. Construíram sua força política sobre a ideia de patriotismo, soberania e amor à nação.

Mas a realidade tem o hábito de desmascarar as farsas.

Quando interesses pessoais e familiares entram em conflito com os interesses do país, o bolsonarismo escolhe sem hesitar. Escolhe a si mesmo.

Foi assim em diversos momentos da vida nacional. É assim novamente quando setores ligados ao bolsonarismo comemoram ou estimulam pressões internacionais contra o Brasil, atacam instituições nacionais e colocam interesses estrangeiros acima dos interesses do povo brasileiro.

A verdade pode ser dura, mas precisa ser dita: o bolsonarismo jamais construiu um projeto de soberania nacional. Construiu um projeto privado de poder.

Seu nacionalismo sempre foi de fachada.

Por trás das bandeiras verde-amarelas existia uma velha lógica de subordinação. A mesma lógica que aceita que o Brasil ocupe eternamente uma posição secundária no mundo. A mesma lógica que nos quer exportadores de matérias-primas, compradores de tecnologia estrangeira e dependentes das decisões tomadas fora de nossas fronteiras.

O patriotismo que se ajoelha diante de interesses externos não é patriotismo. É vassalagem.

E talvez seja justamente por isso que uma parcela crescente da sociedade começa a perceber a contradição. Os mesmos que falam em amor ao Brasil parecem incapazes de defender o país quando seus interesses particulares estão em jogo.

Mas a resposta a esse fenômeno não pode ser apenas administrativa ou eleitoral.

Estamos diante de uma disputa mais profunda. Uma disputa sobre o imaginário nacional.

A extrema direita compreendeu cedo que a política também é uma batalha estética. Conseguiu canalizar revoltas legítimas produzidas pelas desigualdades do capitalismo contemporâneo e transformá-las em combustível para um projeto autoritário. Trouxe para o centro da política o ódio, o preconceito, a intolerância e o ressentimento que durante décadas permaneceram escondidos nos subterrâneos da vida social.

Nosso desafio não é apenas derrotar eleitoralmente esse campo. É devolvê-lo ao lugar de onde nunca deveria ter saído: o esgoto moral da história.

Para isso, não basta responder com tecnocracia, nem com nostalgia.

Precisamos apresentar um projeto capaz de mobilizar esperança, orgulho e ambição coletiva.

Foto:
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma estética da solidariedade que não seja passiva. Uma estética da luta democrática. Uma estética ousada, criativa e popular, capaz de indignar-se diante da desigualdade, da violência e da submissão nacional.

O Brasil não nasceu para aceitar a condição de país periférico condenado à dependência.

Temos condições de liderar a revolução da inteligência artificial, dominar cadeias tecnológicas estratégicas, transformar nossas riquezas naturais em desenvolvimento industrial, fortalecer nossa soberania digital, impulsionar a ciência, valorizar nossa cultura e construir um novo ciclo de prosperidade compartilhada.

Foi essa confiança nacional que Lula ajudou a recolocar no centro da política brasileira. Não a confiança arrogante dos impérios, mas a confiança de um povo que conhece seu valor e se recusa a aceitar a condição de vira-lata.

O desafio agora não é voltar ao que fomos.

É avançar para o que ainda podemos ser.

O Brasil precisa voltar a sonhar grande. E, sobretudo, precisa voltar a agir à altura dos seus sonhos

João Paulo Mehl

Atua em cultura digital, sustentabilidade e fomento cultural. Coordena projetos na UFPR, no Soylocoporti, no Terraço Verde e no Propulsão Cultural.

Mais Matérias

30 jul 2026

PELAS MULHERES DO BUSÃO

Todos os dias, ele passa ali na Praça Cornélia, uma provinciana exceção na metrópole onde vivo…
28 jul 2026

HONESTINO

Aurélio Michiles é um artesão de extrema habilidade. A cada filme, a simbiose entre afeto e estética se apura…
28 jul 2026

E o horror sorriu para nós

E o “homem de bem” colou no peito o símbolo da eliminação de uma mulher e fez uma foto sorridente…
23 jul 2026

A geopolítica do trabalho e o tarifaço de Trump

O tarifaço imposto pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros não deve ser interpretado apenas…
23 jul 2026

DAS CONSEQUÊNCIAS HISTÓRICAS DO INSUCESSO ESPORTIVO

Sempre que a seleção brasileira é desclassificada da Copa do Mundo, ouvimos que o insucesso decorre do abandono…