O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) solicitou ao Ministério da Fazenda a antecipação de R$ 7,25 bilhões para ampliar a capacidade de financiamento do Plano Brasil Soberano, iniciativa criada pelo governo federal para apoiar empresas prejudicadas pelo aumento das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos.
O pedido foi encaminhado ao Tesouro Nacional nesta semana e ocorre em meio ao avanço da procura pelas linhas de crédito oferecidas pelo programa. Os recursos solicitados serão destinados ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE), responsável por viabilizar as operações de crédito.
De acordo com um depoimento de Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, ao jornal Folha de S. Paulo, a solicitação foi motivada pela expectativa de crescimento na demanda por financiamentos destinados a empresas afetadas pelo novo cenário do comércio internacional.
Criado para reduzir os impactos das barreiras comerciais adotadas pelos Estados Unidos, além de amenizar reflexos da instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio, o Plano Brasil Soberano previa inicialmente até R$ 15 bilhões em crédito. Posteriormente, o BNDES reforçou o programa com R$ 6 bilhões de recursos próprios, elevando a capacidade total para R$ 21 bilhões.
Mesmo assim, os pedidos de financiamento já alcançam R$ 18,4 bilhões, o que levou o banco a pedir a liberação antecipada da segunda parcela prevista no pacote. Até o momento, cerca de R$ 7,75 bilhões já foram repassados pelo Tesouro.
As maiores solicitações de crédito têm partido dos segmentos de alimentos, medicamentos, fertilizantes, minerais estratégicos e fabricantes de máquinas e equipamentos. O objetivo é impedir que empresas reduzam investimentos, interrompam projetos ou enfrentem dificuldades financeiras em razão da perda de competitividade provocada pelo tarifaço norte-americano.
O programa oferece condições mais favoráveis de financiamento, incluindo linhas para capital de giro, exportação, aquisição de bens de capital e investimentos, com juros inferiores aos normalmente praticados pelo mercado e prazos mais longos para pagamento. Em março, uma medida provisória ampliou a utilização do FGE para financiar essas operações, fortalecendo o alcance do plano.
Nem o Ministério da Fazenda nem o BNDES comentaram oficialmente o pedido de novos recursos. Paralelamente, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que prepara um novo pacote de apoio às empresas atingidas pela mais recente rodada de tarifas dos Estados Unidos, estimando que a medida afete aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
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