Tarifaço de Trump pode provocar demissões em massa no Brasil
A nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já provoca reações entre representantes da indústria nacional, que preveem impactos nas exportações, redução da competitividade e possíveis cortes de empregos caso a medida permaneça em vigor.
O aumento da taxação foi confirmado pela Casa Branca na noite de quarta-feira (15) e atingiu diversos segmentos que ficaram de fora da lista de exceções negociadas entre os dois países. Entre os setores mais preocupados está o de calçados. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) alerta que a cobrança adicional compromete a retomada das vendas ao mercado americano, principal destino dos produtos brasileiros do segmento.
Segundo a entidade, os Estados Unidos concentram aproximadamente um quinto das exportações do setor, e a nova tarifa, somada aos tributos já existentes, eleva a carga para 35%, dificultando a permanência das empresas nesse mercado.
Em depoimento à Folha de S. Paulo, o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, explica que boa parte dos calçados enviados aos Estados Unidos é produzida de acordo com exigências específicas dos compradores americanos, o que limita a possibilidade de redirecionar essa produção para outros países.
A entidade estima retração nas exportações e teme reflexos sobre fábricas instaladas principalmente no interior de São Paulo e no Rio Grande do Sul, com risco de redução de postos de trabalho.
Outras entidades também demonstraram preocupação. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) avalia que a medida amplia a insegurança nas relações comerciais e pode comprometer investimentos. Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) contesta a justificativa americana para sobretaxar o etanol brasileiro e sustenta que a política tarifária do Brasil segue as normas internacionais.
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) afirma que o setor de moda e confecção poderá perder competitividade em um mercado estratégico. Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), representada por Ricardo Alban, destaca que a sobretaxa agrava a queda nas exportações brasileiras aos Estados Unidos, registrada em grande parte dos estados no primeiro semestre deste ano.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), presidida por Paulo Skaf, também classificou a decisão como prejudicial e defendeu esforços para restabelecer um ambiente favorável ao comércio entre os dois países.
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