O Banco Central Europeu (BCE) escolheu 36 instituições financeiras e empresas de tecnologia para testar o euro digital a partir do segundo semestre de 2027. Com duração prevista de 12 meses, o projeto reunirá bancos centrais, comerciantes e prestadores de pagamento para avaliar o funcionamento da moeda antes de uma possível adoção em 2029.
Entre os participantes estão Stripe, Revolut, Deutsche Bank, UniCredit e o grupo francês BPCE. A seleção ocorreu após o BCE receber mais de 50 candidaturas no edital aberto em março de 2026. A Itália lidera a lista, com sete representantes, seguida pela Alemanha, com cinco. Portugal e Grécia terão três empresas cada.
Durante os testes, parte das instituições ficará responsável por oferecer acesso à versão experimental da moeda aos consumidores. Outras deverão preparar sistemas para que estabelecimentos comerciais recebam os pagamentos. Algumas empresas atuarão nas duas frentes.
A iniciativa pretende criar uma alternativa pública, estável e segura para transações em lojas, sites ou entre pessoas. Diferentemente das criptomoedas, cujo valor pode variar de forma brusca, cada unidade digital manterá equivalência permanente com o euro tradicional e terá garantia do Eurosistema.
Além de modernizar os pagamentos, o projeto busca reduzir a dependência europeia de estruturas controladas por companhias norte-americanas, como Visa, Mastercard, Apple Pay, Google Pay e PayPal. Para Bas van Donselaar, da consultoria PaymentGenes, esse movimento é importante para preservar a capacidade do BCE de conduzir a política monetária diante do avanço de moedas digitais estrangeiras.
O desenho em análise prevê funcionamento offline, ausência de juros e um possível teto de 3 mil euros por usuário. Segundo a economista Emmanuelle Auriol, a limitação ajudaria a impedir a retirada em massa de recursos dos bancos durante crises.
Piero Cipollone, integrante da diretoria do BCE, avaliou que a procura das empresas demonstra interesse do setor privado. Já Evelien Witlox, diretora do projeto, defende que a moeda poderá combinar a praticidade dos meios digitais com a segurança do dinheiro físico.
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