CNJ afasta a juíza Gabriela Hardt, a “Moro de saias”, do cargo por dois anos
Na terça-feira (04), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu afastar a juíza Gabriela Hardt, conhecida como a “Moro de saias”, do cargo por dois anos. A magistrada ganhou destaque nacional ao atuar na Operação Lava Jato em Curitiba e plagiar uma sentença do então juíz Sergio Moro contra Lula.
A decisão pelo afastamento da juíza foi tomada no âmbito de um processo administrativo disciplinar que investigava a condução da gestão de recursos provenientes de acordos de colaboração premiada e de leniência, especialmente relacionados ao chamado “fundo da Lava Jato”. Os valores chegariam a R$ 2 bilhões.
Por unanimidade, os conselheiros entenderam que houve irregularidades graves na homologação do acordo que previa a destinação de bilhões de reais pagos pela Petrobras a uma fundação privada vinculada à força-tarefa da Lava Jato. Para o CNJ, a atuação da magistrada extrapolou os limites da função jurisdicional ao validar um modelo de gestão de recursos considerado incompatível com o ordenamento jurídico.
Durante o julgamento, a defesa de Gabriela Hardt sustentou que a juíza apenas exerceu sua atividade jurisdicional com base nos elementos apresentados pelas partes e negou qualquer irregularidade ou benefício pessoal. Ainda assim, prevaleceu o entendimento de que a conduta configurou infração disciplinar, justificando a aplicação da sanção máxima prevista para magistrados em atividade.
“Não se combate irregularidade cometendo irregularidade. Esse é um esforço que nos como magistrados devemos fazer”, afirmou Edson Fachin, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), durante seu voto.
O caso é mais um desdobramento das revisões promovidas pelo CNJ sobre a atuação de integrantes da Lava Jato. Nos últimos anos, o Conselho passou a reexaminar decisões e procedimentos adotados durante a operação, após inspeções da Corregedoria apontarem falhas na condução de processos e na administração de recursos decorrentes dos acordos firmados no âmbito da força-tarefa.
Mesmo afastada, Gabriela Hardt continuará recebendo o salário-base de R$ 39.753,21 durante os próximos dois anos, mas perderá gratificações e outras vantagens ligadas ao exercício do cargo. Lotada atualmente na 23ª Vara Federal de Curitiba, a magistrada recebeu, em junho de 2026, remuneração bruta de R$ 77.983,48 e valor líquido de R$ 56.161,46, conforme o Portal da Transparência do CNJ.
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