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Anac sabia de problemas na Voepass desde 2020, aponta investigação

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recebeu, ainda em 2020, alertas sobre possíveis falhas no controle e na rastreabilidade de peças usadas por empresas que posteriormente formariam a Voepass. Apesar das recomendações para interromper o compartilhamento de componentes e suspender operações, as aeronaves continuaram voando. A paralisação da companhia ocorreu somente em março de 2025, sete meses após o acidente em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas.

As advertências partiram do então inspetor José Volter Morais Coutinho durante uma auditoria na MAP Linhas Aéreas. A fiscalização identificou procedimentos inadequados de manutenção e dúvidas sobre as condições técnicas de determinados componentes.

Em novembro de 2020, Volter sugeriu suspender tanto a empresa quanto o intercâmbio de peças mantido com a Passaredo, que estava incorporando a MAP e daria origem à Voepass.

Representantes de diferentes gerências da Anac avaliaram o caso em dezembro daquele ano e concluíram que não havia elementos suficientes para interromper toda a operação. Fabiano dos Santos Nascimento Silva, então assessor da agência, considerou pertinente impedir o compartilhamento de componentes, mas recomendou novas diligências antes de uma medida mais ampla. João Souza Dias Garcia, que comandava a Superintendência de Padrões Operacionais, não comentou o episódio.

Em 2022, Volter comunicou autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos e da União Europeia sobre indícios de reaproveitamento irregular de peças retiradas de uma aeronave acidentada em 2016. A iniciativa, feita sem autorização institucional, tornou-se parte do processo administrativo que resultou em sua demissão. A Anac sustentou que as suspeitas não foram comprovadas e que o servidor descumpriu normas internas.

A Voepass teve sua licença cassada definitivamente em junho de 2025. A empresa afirma ter cumprido as exigências de segurança e colaborado com as investigações. Já o Cenipa apontou deficiências na fiscalização da Anac. A Polícia Federal indiciou 16 pessoas, entre elas o presidente da companhia, José Luiz Felício Filho. O Ministério Público Federal decidirá se apresentará denúncia.

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