Sobrinho de governador do Maranhão é afastado por Dino em investigação sobre homicídio
Daniel Itapary Brandão ficará seis meses fora do comando do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA), conforme decisão tomada nesta segunda-feira (17) por Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Solicitada pela Polícia Federal, a medida pretende preservar as apurações que relacionam a morte do empresário João Bosco Sobrinho, registrada em São Luís em 2022, a suspeitas de irregularidades envolvendo verbas públicas.
Sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB), Daniel está proibido de entrar nas dependências do tribunal, acessar os sistemas do órgão ou comparecer a eventos na condição de conselheiro. Também não poderá utilizar veículos, servidores, telefones, passagens ou qualquer estrutura disponibilizada pelo TCE-MA. Outra restrição impede o contato com o governador e com os demais investigados. Carlos Brandão nega irregularidades.
Na avaliação de Dino, a posição ocupada pelo conselheiro poderia facilitar ações destinadas a dificultar o avanço das apurações. O ministro apontou indícios de que a função pública teria sido usada para manter Daniel distante da investigação inicial e considerou incompatível sua permanência no comando do tribunal enquanto são apuradas suspeitas envolvendo homicídio, propinas e pagamentos fraudulentos.
O empresário João Bosco perdeu a vida após ser baleado por Gilbson Cutrim Soares Júnior durante um encontro realizado no prédio Tech Office. Condenado pelo crime em 2024, Gilbson teria relatado posteriormente que o episódio estava ligado a uma disputa pela divisão de valores ilícitos. Imagens analisadas pelos investigadores indicam que Daniel participou de parte do encontro, informação que não apareceu no inquérito conduzido inicialmente pela Polícia Civil.
A apuração foi transferida para o Supremo em outubro de 2025, depois que o nome do senador Weverton Rocha (PDT-MA) apareceu em relatos sobre uma possível atuação para influenciar o andamento do caso no STJ.
Outra frente investigada pela Polícia Federal envolve a suspeita de oferta de dinheiro e imóveis para que versões apresentadas em depoimentos fossem modificadas. Weverton afirma ser alvo de perseguição política e nega qualquer irregularidade.
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