Criptografia do Discord dificulta proteção de menores, diz ANPD
A adoção de criptografia de ponta a ponta nas chamadas de voz e vídeo do Discord entrou no centro de uma investigação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A tecnologia, ativada mundialmente em março de 2026, impede o acesso de pessoas externas às conversas, mas também limita a capacidade da plataforma de identificar e interromper abusos em tempo real.
Diante dos riscos para menores de idade, o órgão determinou, em agosto, a suspensão preventiva das lives e do compartilhamento de vídeos no Brasil. As informações são da Agência Brasil.
A mudança foi implementada pouco antes da entrada em vigor do ECA Digital. A legislação obriga empresas de tecnologia a manter mecanismos seguros e verificáveis para proteger crianças e adolescentes, incluindo controle parental, verificação de idade e medidas contra situações de violência.
O processo de fiscalização ganhou força após a morte de uma adolescente de 13 anos, registrada em 22 de julho, em Naviraí, Mato Grosso do Sul. A jovem tirou a própria vida durante uma transmissão acompanhada por mais de 200 usuários do Discord. Na avaliação da ANPD, a plataforma precisa adotar alternativas eficazes caso a criptografia inviabilize o monitoramento de episódios graves.
O caso também originou a Operação Lívia, realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de atrair menores para comunidades virtuais, nas quais as vítimas seriam submetidas a ameaças, manipulação psicológica e desafios envolvendo automutilação e outras práticas violentas. Cinco adolescentes foram apreendidos e um homem de 18 anos foi detido.
Levantamento da SaferNet Brasil mostra que as denúncias relacionadas ao Discord cresceram 54% nos sete primeiros meses de 2026, na comparação com igual período de 2025.
Consultada pela Agência Brasil, a empresa não se manifestou sobre os questionamentos envolvendo o ECA Digital. Anteriormente, o Discord afirmou manter equipes responsáveis por remover conteúdos proibidos, combater grupos violentos e colaborar com investigações policiais.
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