Famílias comprometem 28,5% da renda com dívidas
Os brasileiros chegarão às eleições de outubro de 2026 com uma fatia recorde da renda destinada ao pagamento de dívidas bancárias, cenário que já preocupa campanhas e pode influenciar a escolha do próximo presidente. Dados do Banco Central, divulgados em reportagem do Estadão, mostram que o comprometimento alcançou 28,5% em maio, maior patamar da série histórica.
O índice avançou três pontos percentuais na comparação com maio de 2022 e seis pontos em relação ao mesmo período de 2018. O cálculo considera parcelas, juros e renda mensal das famílias em operações contratadas no Sistema Financeiro Nacional.
O endividamento total também permanece próximo de 50%, nível registrado desde o começo do ano. A situação ganhou espaço na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição e lançou em maio o Desenrola 2.0 para estimular novas renegociações.
Adversários transformaram o tema em crítica ao Planalto. Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo o aumento das dívidas, enquanto Ronaldo Caiado acusou a gestão petista de incentivar o consumo financiado e a contratação de empréstimos.
Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a vulnerabilidade financeira pode fortalecer o voto econômico, pelo qual o eleitor avalia o governo conforme sua percepção de bem-estar. O cientista político ressalta, porém, que o descontentamento não garante apoio automático à oposição.
Bráulio Borges, da LCA Consultores e do FGV/Ibre, também considera que a situação econômica mantém peso relevante na decisão eleitoral. Segundo ele, medidas adotadas pelo governo ajudaram a melhorar moderadamente sua aprovação, embora ainda não assegurem vantagem confortável na disputa.
Katherine Hennings, pesquisadora do FGV/Ibre, chama atenção para as famílias de menor renda, mais dependentes de cartão rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, modalidades marcadas por juros elevados. Juliana Inhasz, professora do Insper, avalia que renegociações oferecem alívio temporário, mas não enfrentam salários baixos, produtividade limitada, juros altos e desequilíbrio fiscal.
Borges acrescenta que parte do problema nasceu da expansão do crédito após a pandemia. Na avaliação do economista, o consumo financiado impulsiona a atividade inicialmente, mas pode enfraquecer a economia quando as famílias precisam reduzir despesas para pagar os débitos.
BookmarkContinue lendo
Eleições 2026: mais de 1,1 mil denúncias de propaganda irregular em poucos dias
A Justiça Eleitoral recebeu 1.103 denúncias de possíveis irregularidades na propaganda de candidatos desde o início oficial da campanha, no domingo (16). As ocorrências chegaram por...
Projeto de lei na Câmara pode garantir porte de arma e custódia especial para empresários, MEIs e vigilantes
Projetos que avançam na Câmara dos Deputados em 2026 podem ampliar o acesso ao porte de armas para empresários, microempreendedores individuais (MEIs) e profissionais da segurança...
Rashid convoca Emicida, Projota e Rael em seu novo disco
O rapper Rashid lançou, em 11 de agosto, o sexto álbum de estúdio da carreira, “Cumulonimbus”, disponível nas principais plataformas de áudio. Com 15 faixas e...
Rio tem mais de 22 mil pessoas vivendo nas ruas
O Rio de Janeiro concentra a maior população em situação de rua entre os municípios fluminenses, com 22.352 pessoas inscritas no Cadastro Único. No estado, são...
UFBA proíbe cropped, minissaia e short curto e gera revolta
Estudantes, professores, servidores e pacientes da Faculdade de Odontologia da UFBA passaram a seguir novas orientações sobre as roupas permitidas na unidade. A regulamentação, que já...
Você viu todas as matérias.
Não foi possível carregar. Toque para tentar de novo.





