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Tarcísio termina mandato com rombo bilionário nas contas de São Paulo

O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) chega ao último ano do mandato em São Paulo com deterioração de indicadores fiscais e previsão de déficit orçamentário superior a R$ 9 bilhões em 2026. Dados públicos da Secretaria da Fazenda e do Tesouro Nacional, divulgados pela Folha de S. Paulo, mostram uma mudança na trajetória das contas estaduais desde 2023, marcada por redução do caixa, crescimento do rombo previdenciário e avanço das renúncias tributárias.

Em 2025, a diferença entre receitas realizadas e despesas deixou saldo negativo de R$ 12,2 bilhões, pior resultado paulista desde 1995 quando considerado o peso sobre o Orçamento. O cenário contrasta com 2022, quando Rodrigo Garcia encerrou sua gestão com superávit de R$ 9 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 11,1 bilhões em valores corrigidos.

Entre 2019 e 2022, São Paulo obteve superávit orçamentário médio de R$ 5,6 bilhões anuais, enquanto os três primeiros anos de Tarcísio tiveram déficit médio de R$ 1,8 bilhão. O saldo líquido disponível em caixa também recuou de R$ 19,5 bilhões no fim de 2022 para R$ 5 bilhões em 2025, descontadas despesas já contratadas.

Outro ponto de pressão está na Previdência estadual, cujo déficit avançou R$ 13 bilhões entre 2023 e 2025 e alcançou R$ 36,8 bilhões. No período, as despesas previdenciárias chegaram a R$ 58,1 bilhões, enquanto mudanças estruturais no sistema chegaram a ser discutidas pelo governador, mas não avançaram durante o mandato.

Secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita contesta uma leitura de fragilidade fiscal e sustenta que São Paulo permanece em situação favorável, destacando a manutenção do resultado primário positivo. Segundo Kinoshita, quando consideradas inversões financeiras ligadas a PPPs e outros aportes, os investimentos estaduais devem alcançar R$ 110,7 bilhões entre 2023 e 2026, acima dos R$ 96,6 bilhões do governo anterior.

O Tribunal de Contas do Estado, porém, apontou preocupação com a redução das metas fiscais e o crescimento dos benefícios tributários, estimados em R$ 83 bilhões para 2026. O especialista Daniel Couri avalia que São Paulo ainda possui fundamentos fiscais sólidos, mas alerta que despesas obrigatórias crescentes deixam as contas mais dependentes do desempenho da arrecadação.

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