Após se declarar impedido no STF, Nunes Marques segue julgando ações envolvendo o Master no TSE
No último dia 15 de setembro, em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento sobre relatórios e mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master e magistrados da Corte. Na ocasião, eçe alegou devido ao cargo que exerce como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seu posicionamento poderia ser interpretado com viés político.
Acontece que, desde então, o mesmo Nunes Marques segue participando do julgamento de ações no TSE que envolvem Vorcaro e o Master.
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No último sábado (10), por exemplo, o ministro determinou a suspensão imediata de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que associava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.
A propaganda afirmava que Flávio era investigado por crimes relacionados ao banco de Daniel Vorcaro, fato esse confirmado pelo STF e divulgado por inúmeras reportagens da imprensa, sem qualquer contestação.
Quando Nunes Marques se declarou impedido no STF de julgar questões que envolvem o Master, já se sabia que o filho do ministro, o advogado Kevin Nunes Marques, aparecia em mensagens do celular do banqueiro referentes ao repasse de R$ 500 mil mensais do esquema de Vorcaro para ele. Também já se sabia do contrato de R$ 427 milhões com o Banco Master do escritório de advocacia da advogada Camilla Ramos — esposa do desembargador Newton Ramos, do TRF-1 — homem de confiança de Nunes Marques.
Voto de R$ 10 bilhões
Também já se sabe que, em outubro de 2024, Nunes Marques votou a favor dos interesses do Master em uma ação envolvendo a usina e destilaria Alcídia, que cobrava da União reparações e indenizações bilionárias decorrentes de perdas com o controle de preços no setor de açúcar e álcool durante as décadas de 1980 e 1990. O Master tinha uma carteira de precatórios de dezenas de usinas do setor de açúcar e álcool com créditos acumulados contra a União que ultrapassavam a marca dos R$ 10 bilhões.
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