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Ar-condicionado deixa de ser luxo e vira desafio para o consumo global de energia

O avanço das ondas de calor está transformando o ar-condicionado de um equipamento associado ao conforto em uma ferramenta cada vez mais necessária para enfrentar temperaturas extremas. O aumento do uso, porém, começa a pressionar a demanda mundial por eletricidade e pode contribuir para o aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), os aparelhos de ar-condicionado consomem atualmente cerca de 2,9 mil trilhões de watts-hora por ano, o equivalente a aproximadamente 10% da demanda mundial de eletricidade. Nos horários de maior consumo, a participação pode chegar a 30%.

O cenário acompanha a rápida expansão do mercado. Cerca de 400 milhões de aparelhos de ar-condicionado foram colocados no mercado mundial nos últimos dois anos. No Brasil, o crescimento também é expressivo.

Em 2024, foram comercializados 5,88 milhões de aparelhos, 38% a mais do que no ano anterior, quando as vendas chegaram a 4,26 milhões. A fabricação de aparelhos do tipo split também aumentou: passou de 3,8 milhões em 2023 para 6,4 milhões em 2025.

O aumento das temperaturas tem efeito direto sobre a demanda por eletricidade. Um relatório da Agência Internacional de Energia aponta que, no Brasil, cada aumento de 1°C na temperatura média pode acrescentar 3,6 GW à demanda de eletricidade nos períodos de pico.

O impacto também aparece no consumo das residências. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que, entre 2005 e 2017, a quantidade de aparelhos de ar-condicionado nas casas brasileiras quase dobrou, enquanto o consumo de eletricidade associado à climatização mais que triplicou.

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