Assassinatos caem no Brasil, mas 8 em cada 10 vítimas são negras
Em 2025, o país alcançou o menor total de mortes violentas registrado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública nos 13 anos acompanhados pelo levantamento. Divulgado na quinta-feira (23), em reportagem do O Globo, o levantamento aponta 40.775 vítimas de mortes violentas intencionais no país, resultado que representa uma redução de 8% em relação a 2024 e de 31% na comparação com o primeiro ano do estudo.
Em 2025, o país contabilizou 19,1 mortes violentas intencionais a cada grupo de 100 mil habitantes. O cálculo considera diferentes tipos de ocorrência, entre elas assassinatos com intenção de matar, roubos seguidos de morte, agressões fatais e óbitos provocados por ações da Polícia.
Considerando apenas os homicídios dolosos, o país alcançou taxa de 15,4 por 100 mil habitantes, ficando abaixo da meta de 16 estabelecida pelo Governo Federal para 2027, objetivo atingido dois anos antes do previsto.
Para Raquel Souza, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a melhora dos indicadores não permite uma leitura isolada nem conclusões otimistas sem ressalvas. Segundo ela, a redução dos homicídios não elimina a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de controle do uso da força pelo Estado, já que as mortes provocadas por policiais seguem em trajetória de crescimento.
As ações policiais terminaram com 6.602 pessoas mortas ao longo de 2025, quantidade 5,4% superior à contabilizada no ano anterior, conforme os dados do levantamento. Esse tipo de ocorrência já responde por uma em cada seis mortes violentas intencionais registradas no país.
Os dados também reforçam a desigualdade racial presente na violência brasileira. A população negra concentra a ampla maioria dos casos: quase 80% das vítimas da violência letal no país e mais de oito em cada dez pessoas mortas durante intervenções policiais. De acordo com o estudo, a probabilidade de um negro ser assassinado é 3,5 vezes maior do que a de uma pessoa branca.
Na divisão por regiões, o índice mais elevado foi verificado no Nordeste, com 31,6 vítimas a cada 100 mil moradores. O Norte aparece logo depois, ao contabilizar 25,3 mortes na mesma proporção populacional. Raquel Souza atribui parte desse cenário ao fortalecimento de organizações criminosas na disputa pelo controle de territórios e atividades econômicas. Já os menores índices foram registrados nas regiões Sul, com taxa de 11,9, e Sudeste, com 12,6 mortes por 100 mil habitantes.
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