Mesmo diante da escalada das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, o Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com o maior volume de exportações já registrado para o período. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), revelados em reportagem do Estadão, mostram que, entre janeiro e junho, as vendas ao mercado internacional atingiram US$ 184,8 bilhões, impulsionadas principalmente pela forte demanda chinesa por produtos brasileiros.
A China ampliou ainda mais sua posição como principal destino das exportações nacionais. As compras do país asiático cresceram 22% em relação ao mesmo intervalo do ano passado e chegaram a US$ 58,3 bilhões, enquanto as exportações para os Estados Unidos recuaram 13%, somando US$ 17,4 bilhões.
Para a economista Júlia Marasca, do Itaú, entrevistada pelo Estadão, o avanço das vendas para outros mercados, especialmente na Ásia, compensou a retração observada no comércio com os norte-americanos e manteve as exportações em níveis históricos.
Entre os produtos que mais contribuíram para esse desempenho estão o petróleo bruto e a soja. As vendas de petróleo para a China saltaram de US$ 9,3 bilhões para US$ 15,2 bilhões em um ano, movimento favorecido pela valorização internacional da commodity durante o conflito no Oriente Médio.
Segundo José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), em depoimento ao jornal, a combinação entre aumento dos preços e maior volume embarcado explica boa parte desse crescimento.
Levantamento apresentado para a reportagem por Livio Ribeiro, pesquisador associado do FGV Ibre e sócio da BRCG Consultoria, também aponta expansão consistente das exportações para a China, além de crescimento em mercados como México, América Latina e outros países asiáticos. Em contrapartida, houve retração nas vendas destinadas aos Estados Unidos, à União Europeia e à Argentina.
O resultado positivo da balança comercial também levou à revisão das projeções para 2026. O Mdic elevou a estimativa de superávit de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, enquanto o Itaú passou a prever saldo de US$ 80 bilhões.
Apesar da expectativa em torno de novas tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos, Livio Ribeiro avalia que os efeitos sobre a economia brasileira tendem a ser limitados, embora as negociações entre os dois países ainda possam alterar parte desse cenário.
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