Entidades empresariais criticam novo tarifaço, mas silenciam sobre papel de família Bolsonaro
Entidades que representam a indústria criticaram, nesta quinta-feira (16), o novo tarifaço de 25% sobre as exportações brasileiras anunciado pelo governo Trump. As federações das indústrias dos estados de São Paulo (Fiesp) e de Minas Gerais (Fiemg), além da Confederação Nacional da Indústria (CNI), lamentaram a decisão estadunidense, apontaram prejuízo para a economia brasileira, mas novamente, silenciaram sobre o papel do clã Bolsonaro, em especial do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro (RJ), no processo.
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“A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais”, disse a Fiesp em nota. “A Fiemg manifesta profunda preocupação”, afirmou a entidade mineira. “Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro trimestre”, destacou Ricardo Alban, presidente da CNI.
Flávio, seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o conselheiro do pré-candidato do PL, Paulo Figueiredo, se encontraram com o presidente Trump na Casa Branca em 26 de maio. Menos de uma semana depois, em 1º de junho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendou o novo tarifaço.
Em 2 de julho, diante da repercussão negativa, o pré-candidato do PL enviou ao governo dos EUA uma carta pedindo que as novas tarifas fossem adiadas até as eleições. Em 7 de julho ele viajou para Washington, para participar de uma audiência sobre o tema com o mesmo objetivo. Em ambas as ocasiões, nunca se disse contrário ao tarifaço. Apenas alegou que ele seria inoportuno, no momento, porque prejudicaria sua pré-candidatura, dando ao presidente Lula a justificativa para culpá-lo pelas medidas.
Mesmo depois de tudo isso, em nenhum instante os representantes do empresariado foram capazes de dar “nomes aos bois” e criticar a atuação de Flávio e sua família na articulação dessas sanções contra a economia brasileira.
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