Brasil vive escalada de bullying entre crianças e adolescentes
As notificações de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes cresceram de forma expressiva no Brasil ao longo de 2025.
Levantamento divulgado na quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), por meio da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, contabilizou 5.226 ocorrências envolvendo vítimas de até 17 anos, volume 67,3% superior ao registrado em 2024.
O avanço representa o maior aumento entre todos os indicadores de violência contra esse público analisados pelo levantamento.
O crescimento ocorre no primeiro ano completo após a entrada em vigor da Lei nº 14.811/2024, que passou a tipificar o bullying e o cyberbullying como crimes no Código Penal. Apesar da elevação dos registros, o próprio estudo ressalta que os boletins de ocorrência retratam apenas uma pequena parcela da violência enfrentada por estudantes em todo o país.
De acordo com depoimento do sociólogo Cauê Martins, pesquisador do FBSP, ao portal g1, a expansão dos números está ligada não apenas à incidência das agressões, mas também à adaptação das polícias, das instituições e da população ao novo enquadramento legal. Segundo ele, os casos que chegam às delegacias costumam ser os mais graves ou aqueles que não conseguiram ser solucionados no ambiente escolar.
A dimensão do problema fica ainda mais evidente nos resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE. O levantamento indica que 40% dos alunos com idades entre 13 e 17 anos disseram já ter sido vítimas de bullying, proporção muito superior à refletida nos registros policiais.
Ao analisar cada modalidade de forma isolada, o anuário mostra que os casos de bullying aumentaram de 2.736 para 4.549 em um ano. Já as notificações de cyberbullying passaram de 425 para 677. O estudo também aponta que a violência praticada presencialmente é mais frequente entre estudantes de 10 a 13 anos, mantendo índices elevados entre adolescentes de 14 a 17 anos. Já a violência virtual atinge principalmente jovens de 14 anos, faixa etária em que o uso das redes sociais é mais intenso.
O levantamento também identificou crescimento expressivo em estados como São Paulo, Maranhão e Mato Grosso do Sul, movimento atribuído, em parte, ao fortalecimento dos sistemas de registro e ao maior reconhecimento desse tipo de violência pela sociedade.
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