Caso grave na Unicamp envolve retirada irregular de vírus perigosos
Um episódio incomum dentro de uma das principais universidades do país mobilizou autoridades sanitárias e policiais após a retirada irregular de material biológico de alta segurança. O caso envolve o transporte de amostras virais entre laboratórios da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em circunstâncias que levantaram suspeitas sobre possíveis riscos à saúde pública.
As investigações apontam para a participação da professora Soledad Palameta Miller, ligada à Faculdade de Engenharia de Alimentos, e de seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller. Segundo apuração, ao menos 24 tipos de vírus foram deslocados de um laboratório de nível NB-3, estrutura voltada ao manuseio de agentes biológicos potencialmente perigosos.
Entre os materiais estavam vírus como dengue, zika, chikungunya, herpes, Epstein-Barr, coronavírus humano e influenza tipo A, além de patógenos que afetam animais.
O caso veio à tona em fevereiro, quando uma pesquisadora percebeu o desaparecimento de amostras. Dias depois, movimentações consideradas atípicas foram registradas, com acessos ao laboratório fora do horário habitual. Imagens de segurança indicaram a presença frequente do casal no local desde novembro, inclusive em períodos sem circulação de outros profissionais.
A direção do Instituto de Biologia foi informada no início de março e levou o caso à reitoria. A universidade acionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a Polícia Federal, que cumpriram mandados de busca no campus e na residência dos investigados. Parte do material foi localizada em um freezer dentro da própria universidade.
Também há indícios de tentativa de descarte e alteração de identificação das amostras após o avanço das investigações. A professora chegou a ser detida, mas responde em liberdade por suspeitas que incluem irregularidades no transporte de material biológico e possível risco à saúde coletiva.
A Unicamp afirma que não há evidências de contaminação generalizada e classifica o episódio como pontual. A defesa dos envolvidos não se pronunciou.
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