Skip to content Skip to footer

Caso Orelha: advogado tenta descaracterizar agressão apontada pela perícia

(Foto: Redes Sociais/Reprodução)

A morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, continua provocando reações intensas e novas disputas de narrativa pouco mais de um mês após o episódio. O caso, que já havia causado forte comoção pública, ganhou novos contornos com a divulgação de vídeos e declarações da defesa do adolescente indiciado, que passou a sustentar versões alternativas para a causa da morte do animal.

Segundo essa linha defensiva, Orelha não teria sido vítima de agressões, mas de um possível atropelamento ou acidente. A tese foi apresentada publicamente em entrevistas e se apoia, sobretudo, em imagens que mostram um cachorro circulando pelo bairro horas depois do intervalo em que a investigação aponta a ocorrência da violência.

Para os advogados, a ausência de testemunhas diretas e a existência dessas imagens colocariam em dúvida a acusação. A Polícia Civil de Santa Catarina, no entanto, mantém a conclusão do inquérito. De acordo com os investigadores, o vídeo apresentado pela defesa é autêntico, mas não invalida o trabalho pericial nem o conjunto de provas reunidas.

Especialistas explicam que lesões graves na cabeça, como as identificadas em Orelha, podem evoluir de forma progressiva, levando à morte horas depois do trauma inicial, mesmo que o animal ainda consiga se locomover.

O laudo pericial não descarta hipóteses como atropelamento ou queda, mas aponta que os ferimentos são compatíveis com impacto direto e intenso provocado por instrumento contundente. Para a polícia, esse dado técnico afasta a ideia de um acidente trivial e reforça a suspeita de violência deliberada.

Ao longo da apuração, foram analisadas mais de mil horas de imagens de 14 câmeras de segurança espalhadas pela Praia Brava, além da oitiva de cerca de 24 testemunhas. A investigação também utilizou recursos tecnológicos de geolocalização para reconstruir a movimentação do adolescente na madrugada de 4 de janeiro.

As imagens indicam sua presença na região no horário do crime, assim como o uso de roupas que coincidem com aquelas identificadas posteriormente. Inicialmente, quatro adolescentes foram considerados suspeitos, mas apenas um acabou indiciado, com recomendação de internação provisória.

Outro ponto esclarecido pela polícia envolve a adolescente que aparece acompanhando o investigado nas imagens. Segundo o delegado-geral Ulisses Gabriel, ela afirmou não ter presenciado as agressões e, por isso, não foi responsabilizada. As gravações mostram os dois entrando juntos na praia às 5h25 e saindo pouco mais de meia hora depois, período em que o crime teria ocorrido.

Outro ponto que ampliou a complexidade do caso envolve a tentativa de afogamento de um segundo cão comunitário, Caramelo, além de relatos de intimidação contra testemunhas. Esses episódios resultaram no indiciamento de três adultos e reforçaram, para os investigadores, a gravidade do contexto em que a morte de Orelha ocorreu.

Enquanto a defesa insiste em questionar a consistência das provas, críticos veem na estratégia uma tentativa de gerar confusão e deslocar o foco do debate público. O caso agora segue para análise do Judiciário, sob atenção constante da sociedade e de entidades de proteção animal.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

85 anos de Ney Matogrosso: a voz, o corpo e a coragem que mudaram a música brasileira

Das origens improváveis aos Secos & Molhados, cantor transformou voz, corpo e estética em atos de liberdade e inovação
29 jul 2026

A voz e a luta de Camila Valadão contra a violência política de gênero

Alvo de constantes ataques do hoje deputado Gilvan da Federal (PL), parlamentar do Espírito Santo conseguiu vitória emblemática na Justiça contra algoz
03 ago 2026

Após muito “vai e vem”, Cleitinho anuncia que não será candidato ao governo de MG

Senador alega que após morte recente do irmão ainda não se sentem bem para entrar na disputa
03 ago 2026

Mais um: foragido, ex-deputado do PL é preso na Bolívia

Ex-parlamentar foi condenado por liderar uma organização criminosa armada dedicada ao monopólio e exploração do jogo do bicho
03 ago 2026

Jorge Bischoff fecha acordo e evita julgamento por importunação sexual

Empresário pagará R$ 80 mil a entidade assistencial e cumprirá restrições para evitar julgamento; defesa nega confissão de culpa
03 ago 2026

Ex-comandante da Aeronáutica conta bastidores da trama golpista em livro

“Eu disse não – uma trincheira antigolpista”, do tenente-brigadeiro Carlos Baptista Júnior promete fazer muito barulho
03 ago 2026

Após duas semanas de férias, Congresso prorroga recesso até 10 de agosto

Para agosto, está previsto um “esforço concentrado” entre os dias 10 e 14