Condenado entrega supostas provas contra grupo de governador do Maranhão
Gilbson Cutrim Júnior, condenado pelo assassinato de um homem em São Luís, entregou à Polícia Federal documentos e imagens que, segundo sua defesa, podem reforçar suspeitas de desvio de recursos públicos envolvendo pessoas ligadas ao governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB). O material inclui uma lista manuscrita de processos, a etiqueta bancária de um maço de dinheiro e o vídeo de um veículo supostamente usado para transportar valores.
Em petição enviada à PF, os advogados de Gilbson afirmam que ele procurava empresas com créditos superiores a R$ 5 milhões referentes a governos anteriores. A liberação dos pagamentos pela atual gestão estaria condicionada à devolução de parte do dinheiro, que seria encaminhada ao escritório da família Brandão.
Gilbson também declarou ter participado de encontros com Carlos Brandão no Palácio dos Leões, sede do governo estadual, e levado dinheiro ao local. As acusações ainda estão sob investigação e não representam conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos citados.
O caso ganhou nova dimensão após a PF relacionar o homicídio ocorrido no centro comercial Tech Office, em agosto de 2022, a uma possível disputa pela divisão de propinas provenientes de contratos públicos. Gilbson foi condenado sozinho, em 2024, a 13 anos de prisão, embora a Polícia Civil inicialmente tenha tratado o crime como resultado de um conflito pessoal.
A defesa ainda sustenta que familiares do condenado receberam pagamentos mensais para que ele permanecesse em silêncio. O acordo seria de R$ 30 mil, mas apenas R$ 15 mil teriam sido entregues por intermédio de um motorista ligado a Marcus Brandão, irmão do governador.
Na segunda-feira (17), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afastou Daniel Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Maranhão por 180 dias. Sobrinho do governador, Daniel nega envolvimento e diz que provará inocência, enquanto Carlos Brandão contesta as acusações, questiona a credibilidade de Gilbson e afirma não ter acesso integral à investigação.
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