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Do exílio aos palcos: a vida de Gilberto Gil vira musical em São Paulo

O exílio de Gilberto Gil em Londres, no início dos anos 1970, abre a narrativa de “Gil – Andar com Fé”, musical que estreou na quinta-feira (20), no Teatro Santander, em São Paulo. Dirigida por Miguel Falabella e protagonizada por Gui Ventura, a montagem percorre episódios pessoais, políticos e artísticos da carreira do baiano para mostrar como sua obra dialogou com as transformações culturais do país.

Preso pela ditadura militar em 1968, Gil deixou o Brasil ao lado de Caetano Veloso e encontrou na capital inglesa novas referências musicais, período em que comprou sua primeira guitarra e ampliou o encontro entre sonoridades brasileiras e o rock.

Segundo o dramaturgo Newton Moreno, responsável pelo texto, iniciar a história pelo exílio permite abordar tanto um momento de crise do artista quanto os efeitos do autoritarismo sobre aquela geração.

A montagem também retorna à infância de Gil em Ituaçu, na Bahia, onde começou a tocar acordeão influenciado por Luiz Gonzaga. A cenografia incorpora referências a Lygia Clark e Alfredo Volpi, enquanto personagens inspirados em Gal Costa, Caetano Veloso e Maria Bethânia recuperam a efervescência cultural vivida pelo cantor.

Outro eixo acompanha a aproximação de Gil com culturas africanas, especialmente após sua viagem a Lagos, na Nigéria, em 1977, experiência que influenciou o álbum “Refavela”. Miguel Falabella destaca esse período como decisivo para a incorporação de novas sonoridades à produção do músico.

Gui Ventura evita reproduzir gestos e trejeitos de Gil e procura construir uma interpretação voltada às contradições e vulnerabilidades do artista. Conduzido pelo personagem Tempo-Rei, interpretado por Guga Barbosa, o espetáculo ainda aborda a censura sofrida por “Cálice”, a relação com Sandra Gadelha e a criação de “Drão”.

“Gil – Andar com Fé” permanece em cartaz até 11 de outubro, com ingressos a partir de R$ 50 e classificação indicativa de 12 anos.

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