Contas do exterior pagam anúncios para impulsionar Flávio Bolsonaro
Contas registradas fora do Brasil financiaram, entre março e maio deste ano, publicações no X favoráveis à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo informações divulgadas pelo Metrópoles.
Os anúncios recorreram a projeções do mercado de apostas Polymarket para apresentar o parlamentar como favorito na disputa, apesar das restrições brasileiras à propaganda eleitoral paga por terceiros e ao uso de recursos estrangeiros.
As postagens aparecem na rede social com a identificação de parceria remunerada e destacam oscilações nas apostas realizadas pela plataforma. Em uma delas, o senador é colocado à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resultado tratado pelos responsáveis pelo conteúdo como uma demonstração da força eleitoral do candidato do PL.
Um levantamento produzido pelo site Factchequeado encontrou 13 anúncios patrocinados pela Polymarket no X durante o período analisado. Desse total, 11 promoviam políticos ligados à direita ou apresentavam mensagens desfavoráveis a representantes da esquerda, estratégia também observada em publicações sobre as eleições da Colômbia e do Peru.
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A Polymarket mantém desde junho de 2025 uma parceria oficial com o X para fornecer previsões baseadas em negociações feitas por seus usuários. A empresa também possui vínculo com Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, que investe no negócio por meio da 1789 Capital e participa do conselho consultivo da plataforma.
O acesso ao serviço foi bloqueado pelo governo brasileiro em abril, após autoridades apontarem que a companhia não tinha autorização para oferecer apostas ou contratos relacionados à política nacional. A medida alcançou outros mercados de previsão que operavam no país sem a regulamentação exigida para atividades envolvendo eleições.
As publicações ganharam alcance depois de serem compartilhadas por Eduardo Bolsonaro e por diferentes perfis associados ao bolsonarismo. Parlamentares e influenciadores reproduziram a tese de vitória no primeiro turno, mas a circulação simultânea das mensagens não demonstra, isoladamente, que tenha existido coordenação entre os responsáveis pelas contas.
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