Contratos milionários e leitos fechados: a irresponsabilidade de Flávio na gestão de hospitais do Rio na pandemia
O grupo político de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria indicado administradores de hospitais federais do Rio que mantiveram leitos fechados durante a pandemia e conduziram contratos com suspeitas de superfaturamento, segundo reportagem da Agência Pública. A apuração atribui ao senador influência sobre nomeações e decisões administrativas, mas não apresenta comprovação de que ele tenha ordenado diretamente o fechamento das vagas hospitalares.
Sem ocupar cargo no governo do pai, Flávio teria participado da definição de dirigentes responsáveis pelas seis unidades federais fluminenses entre 2019 e 2022. Nesse período, os hospitais movimentaram mais de R$ 3 bilhões, enquanto enfrentavam falta de profissionais, serviços interrompidos e estruturas indisponíveis para atender pacientes.
Segundo o relatório final da CPI da Covid, 30% dos leitos clínicos e de terapia intensiva dos hospitais e institutos federais da capital permaneceram fechados durante a emergência sanitária. A principal razão era a insuficiência de trabalhadores, agravada pelo encerramento de 3,5 mil contratos em dezembro de 2020, dos quais apenas 1,4 mil foram prorrogados por sessenta dias.
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Um diagnóstico do Ministério da Saúde, elaborado em fevereiro de 2023, identificou que contratos administrativos absorviam 72% dos recursos dos seis hospitais, equivalentes a R$ 50,3 milhões mensais. No Hospital Federal de Bonsucesso, contratos de apoio apresentavam margens de lucro até 561% superiores às acordadas e custos indiretos até 581% maiores que os de ajustes equivalentes da pasta.
Auditorias preventivas também detectaram aproximadamente R$ 69 milhões de sobrepreço numa compra de materiais vasculares e R$ 18,1 milhões em medicamentos oncológicos no Hospital dos Servidores. Essas diferenças foram identificadas antes da assinatura dos contratos analisados, evitando que os valores previstos fossem desembolsados.
Em agosto, um pedido apresentado ao Supremo Tribunal Federal solicitou apurar a eventual participação de Flávio nas irregularidades. Procurado pela Pública, o senador não respondeu, enquanto um ex-dirigente afirmou que seus atos estão registrados oficialmente e negou responder a processos relacionados à gestão.
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