Empresários trocam candidatos por partidos e movimentam milhões
Grandes empresários têm direcionado milhões de reais aos diretórios partidários em pleno ano eleitoral, numa movimentação que ganhou força durante a pré-campanha e mantém parte dos financiadores fora da relação direta de doadores dos candidatos. As informações são da Folha de S. Paulo.
Até 24 de agosto, as legendas informaram à Justiça Eleitoral o recebimento de R$ 43,4 milhões em recursos privados destinados às estruturas partidárias, enquanto as campanhas haviam registrado R$ 78 milhões vindos de pessoas físicas.
O fluxo aumentou entre junho e agosto, período em que R$ 21,7 milhões chegaram aos partidos, segundo os dados disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral. Neste ano, 114 pessoas repassaram individualmente mais de R$ 20 mil às siglas, totalizando R$ 24,4 milhões, sendo que 53 contribuíram com valores superiores a R$ 100 mil e seis desembolsaram pelo menos R$ 1 milhão.
A diferença está também na forma como esses recursos aparecem na fiscalização eleitoral, já que as campanhas precisam entregar suas contas até 30 dias depois da votação, enquanto os partidos têm até junho do ano seguinte.
O advogado e professor de direito eleitoral Alberto Rollo explica que recursos inicialmente destinados à manutenção partidária podem posteriormente ser utilizados em despesas eleitorais, desde que sejam observadas as regras internas e legais.
Entre as legendas que receberam grandes contribuições está o Republicanos, que registrou aproximadamente R$ 1,3 milhão de executivos, conselheiros e familiares ligados ao setor sucroenergético em apenas duas semanas de junho. Entre os doadores aparecem Rubens Ometto, da Cosan, integrantes das famílias Ometto e Garms e pessoas vinculadas à Copersucar.
O movimento também alcança outras siglas. José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp e proprietário da Amil, destinou R$ 2 milhões ao diretório municipal do PT em Araraquara, enquanto Fabiano Silveira, ex-ministro do governo Michel Temer, transferiu R$ 2 milhões ao MDB da Paraíba.
Os números ainda são provisórios e podem aumentar, pois as contas partidárias referentes a 2026 somente terão entrega obrigatória em junho de 2027. A diferença de prazos e registros faz com que parte do caminho percorrido pelo dinheiro privado durante a eleição só fique inteiramente visível após o encerramento da disputa.
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