Enchente devastadora deixa rastro de mortes e centenas de desaparecidos no Nepal e Tibete
Uma enchente de grandes proporções deixou ao menos 160 mortos, centenas de feridos e, aproximadamente, 500 desaparecidos nesta quarta-feira (26) no norte do Nepal, após uma massa de água e lama avançar por vales, destruir comunidades e atingir também o Tibete, na China. Entre as pessoas ainda não localizadas estão turistas, policiais, funcionários da alfândega e trabalhadores de projetos hidrelétricos.
O Conselho de Turismo do Nepal informou que até 384 turistas foram considerados desaparecidos nas regiões atingidas, sendo 291 estrangeiros. Em Rasuwa, imagens divulgadas pela polícia mostram casas sendo arrastadas pela correnteza, enquanto o Exército mobilizou 15 helicópteros e equipes terrestres para procurar sobreviventes.
A força das águas também destruiu pontes, escolas e instalações de geração de energia, embora o levantamento dos prejuízos ainda esteja em andamento. Segundo a Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal, 14 projetos hidrelétricos sofreram danos e 60 trabalhadores ligados às obras permanecem desaparecidos.
O primeiro-ministro Balendra Shah convocou uma reunião emergencial dos órgãos responsáveis pela gestão de desastres e determinou a integração das operações de busca, atendimento médico e assistência humanitária. O governo nepalês também solicitou apoio da China e da Índia diante da dimensão da tragédia.
A origem da inundação ainda é investigada, principalmente porque não havia registro de chuva capaz de explicar o aumento repentino do volume dos rios, segundo Narendra Priyar, chefe da administração de Rasuwa. O chanceler Shishir Khanal atribuiu o desastre a um deslizamento provocado por terremoto, que teria bloqueado temporariamente o curso de um rio.
Outra possibilidade é investigada por especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha. O cientista Qianggong Zhang apontou que uma avalanche de gelo pode ter atingido o rio Lhende, mas ressaltou que ainda não há conclusão definitiva sobre a causa.
No Tibete, deslizamentos atingiram Gyirong e soterraram construções próximas à fronteira. Diante da emergência, o presidente chinês Xi Jinping determinou a mobilização de recursos para localizar desaparecidos, socorrer feridos e ampliar as operações de resgate.
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