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Escala 6×1 vira problema para Flávio Bolsonaro em plena campanha

Flávio Bolsonaro (PL) reduziu a agenda de campanha nesta terça-feira (1º) para permanecer em Brasília enquanto o Congresso concentra discussões sobre o fim da escala 6×1. O presidenciável acompanha as articulações em torno da redução da jornada de trabalho enquanto tenta construir uma posição intermediária entre a proposta defendida pelo governo Lula e a resistência de setores empresariais à mudança.

A movimentação ocorre diante de um tema com forte respaldo popular e potencial para influenciar a disputa presidencial. Pesquisa Quaest realizada em julho apontou que 69% dos brasileiros apoiam o fim do modelo que permite seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.

Flávio evita aderir ao texto em discussão no Congresso e também procura não assumir o desgaste de uma oposição direta à mudança. Em entrevista à Record, o senador defendeu que trabalhadores tenham maior autonomia para negociar a quantidade de horas trabalhadas e que a remuneração acompanhe essa escolha, em vez de estabelecer uma nova jornada por meio da Constituição.

A estratégia busca apresentar uma alternativa ao projeto abraçado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que transformou o fim da escala 6×1 em uma das bandeiras de sua campanha. Entre aliados de Flávio, existe preocupação de que uma rejeição pura e simples à proposta permita ao adversário associar a direita à manutenção do atual regime.

No Senado, Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, articula mecanismos para retardar a tramitação da PEC. A estratégia inclui ampliar as discussões na Comissão de Constituição e Justiça, analisar as emendas apresentadas e evitar acordos capazes de acelerar as etapas necessárias para levar o texto ao plenário.

Flávio também acompanha de Brasília as movimentações sobre a medida provisória que retirou a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, embora não deva participar da votação. A ausência evita outra decisão eleitoralmente sensível, já que a perda de validade da MP restabeleceria a chamada “taxa das blusinhas”.

Na quarta-feira (2), o candidato deixa Brasília e segue para o Rio Grande do Sul, onde retoma a campanha. A programação inclui participação em uma feira do agronegócio e gravações eleitorais ao lado de aliados, entre eles Luciano Zucco (PL-RS), candidato ao governo estadual.

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