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“Eu não acho que feminicídio seja algo que exista”: Campopiano vence com segunda maior votação da história da Alesp

Aos 23 anos, Eduarda Campopiano (PL) passou de vereadora de Praia Grande a deputada estadual mais votada de São Paulo. Ela recebeu 1.956.238 votos em 2026, resultado que representa a segunda maior votação da história da Assembleia Legislativa de São Paulo, atrás apenas dos 2.060.786 votos de Janaína Paschoal em 2018.

Nascida em Campinas, em 2003, Campopiano começou a ganhar projeção política nas redes sociais a partir de 2021. Em 2023, passou a atuar como comentarista da Jovem Pan, ampliando sua exposição entre o público de direita. Sua comunicação digital se tornou o principal instrumento de construção de sua imagem política, especialmente entre eleitores jovens e conservadores.

Sua trajetória está ligada ao grupo político de Lucas Pavanato (PL), eleito deputado federal em 2026. Campopiano é tratada como sua afilhada política e os dois fizeram uma campanha coordenada nas redes.

Ela se apresenta como oposição ao feminismo e considera o movimento uma corrente política e ideológica associada à esquerda “Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista.” Ao explicar sua posição, afirmou que as feministas tentariam atribuir ao movimento conquistas obtidas por mulheres individualmente.

Ao discutir feminicídio, Campopiano afirmou: “Eu não acho que feminicídio seja algo que exista.” Ela é contrária à existência do feminicídio como tipo penal específico e defende o endurecimento das penas para crimes violentos de maneira geral. Em uma entrevista, argumentou que assassinatos de mulheres por parceiros seriam principalmente relacionados ao sentimento de posse dentro do relacionamento, e que esse sentimento nada tem haver com o patriarcado.

No aborto, sua posição é contrária à interrupção voluntária da gravidez em qualquer circunstância, inclusive em casos de estupro infantil. Campopiano utiliza uma abordagem explicitamente religiosa e afirma que pretende trabalhar por políticas de apoio às gestantes, entrega legal para adoção e alternativas à interrupção da gravidez.

A religião ocupa espaço importante em sua identidade política. Campopiano apresenta sua atuação a partir do lema “Deus, pátria, família e liberdade” e defende a presença de princípios cristãos na política.

Outro ponto de sua plataforma é a oposição às cotas raciais em universidades e concursos públicos. Campopiano defende uma concepção de igualdade baseada no mérito individual e rejeita políticas que utilizam critérios raciais para reservar vagas. Também é contrária ao reconhecimento formal da prostituição como profissão.

Sua projeção, entretanto, não veio apenas das propostas. Campopiano também ganhou notoriedade por declarações racista. Em maio de 2026, durante participação no podcast RedCast, afirmou agradecer a Deus pela colonização do Brasil e pela catequização dos indígenas. Na mesma ocasião, fez afirmações sobre práticas atribuídas por ela a povos indígenas, incluindo referências a canibalismo e ao enterro de crianças. As declarações provocaram repercussão e levaram a liderança indígena Katú Mirim a registrar boletim de ocorrência acusando a parlamentar de racismo.

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