De todo o longo depoimento de mais de 20 minutos divulgado por Michelle Bolsonaro (PL-DF), na quarta-feira (24), o trecho que mais deixou preocupado o senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), foi aquele em que a ex-primeira-dama deixa claro que sabe mais do que seu enteado imagina. O vídeo caiu como uma bomba na campanha de Flávio, e foi interpretado como um aviso claro de que Michelle tem informações sobre desdobramentos de investigações que envolvem o senador em casos como o do financiamento do filme “Dark Horse” pelo banqueiro Daniel Vorcaro, e outros fatos relacionados ao Banco Master que podem derrubá-lo.
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“Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas não sou. Eu sei mais do que eles pensam”, alertou a ex-primeira-dama na segunda parte da gravação divulgada durante o jogo entre o Brasil e a Escócia, e que teve mais de 5 milhões de visualizações somente ontem.
Nesse trecho, Michelle afirma que nunca cobrou desculpas de Flávio e dos demais enteados Eduardo e Carlos Bolsonaro, que a atacaram quando ela criticou a aliança do PL com a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. Mas afirma que também não esqueceu o que aconteceu. “Perdoar não é o mesmo que esquecer ou querer continuar o relacionamento. São coisas completamente diferentes”, explica ela, defendendo que uma coligação com Ciro, se ocorrer, aconteça no segundo turno. “Já disse que considero um erro — uma traição aos valores das pessoas de bem —, mas os caciques do partido no estado estão ignorando o perigo. Cada um responderá pelos seus atos”, disse, em tom ameaçador. “Todos foram avisados, em especial dentro do partido, e serão lembrados disso”, completa.
No PL, a atitude de Michelle foi considerada um forma dela se “descolar” de vez da pré-candidatura de Flávio. Caso ele acabe sendo atingido por novas denúncias envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master, ela pode acabar substituindo o enteado como candidata à Presidência. “Minha prioridade agora é cuidar da minha família, do meu marido que está precisando de mim. Meu futuro político está nas mãos de Deus, Ele providenciará tudo. E quando for o momento de decidir o que quer que seja, sou eu mesma quem falarei, não preciso de porta-voz”, explica a ex-primeira-dama.
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